16 de dezembro de 2008

DOSSIÊ RICARDO WAGNER

Ricardo Wagner é um poeta maldito nato.

Um poeta que rasga o verbo e traz o sangue.

Talvez Baudelaire o chamasse para tomar um pouco de haxixe ou ópio.

Ou Rimbaud lhe desse armas. Mas Ricardo tem armas.

Armas na amplidão do olho do furacão.

Quem o conhece sabe disso. É um filósofo nato, arguto, inteirado e

sobretudo sabe o que diz num texto.

Seus poemas são vísceras , são cacos de vidro. Ele nos últimos tempos cansou

de poesia. Segue embaixo alguns poemas dele.


PÉLAGO


A chaga entra em erupção,
Escorre a lava do tormento,
Devasta tudo no coração,
Deixando-o lúgubre, cinzento.

Eis a chaga do Abismo, irmão!
Queima, e as cinzas pelo vento
Levadas ao Abismo negro são:
Abismo que com afinco experimento.

Bárbaro sadismo que devasta...
Ó! epidemia e impune Melancolia,
Pra teus suplícios não há o basta?!

Na Desventura que rodeia, procria...
E triunfa esta Realidade incasta,
Que para refugiar, há pouco eu dormia.

Do seu primeiro livro RUMORES DA EXISTÊNCIA



NEM TUDO QUE RELUZ


É VAGA-LUME

PODE SER

VAGA-BUNDA
.

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AM ORT EAM O

AMOR TE AMO

A MORTE AMO

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A VIRTUDE
CABE NUM LIXO,
MAS NÃO CABE
NUM DIPLOMA.

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E COMEÇO
E COMEÇO
E COMEÇO
E COMEÇO
E COMEÇO
ECO MEÇO
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Um papel vês tido de branco.
Mas virgem
Que o Paraíso,
Mais profundo
Que aquela puta.

Um papel em branco
É mais virgem
Que uma fada,
Mais foda
Com aquela puta.
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META AMORFO$E
METAMORFOISE
METAMORFOSSE
METAMORFOICE
METAMORFORCE
METAMORFODE


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não sei
se hai-kai
mas eu cai

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palavra é porra
em um mundo estéril.

língua
introduzida
em idéias frígidas
introinduzidas.

que o papel
amarreganhe
as pernas.
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Espermar um poema
É arrancar o cabaço
(Com a ponta de aço)
Do papel-anêmico
Próximo ao esquema
Do girino esquizofrênico
Internado no saco.

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NA
REALIDADE

FIC SÃO

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Ser mais um poeta...
Apenas imprimir poesias?

Poeta sim, quem escancara
A página da Vida
Ilustrada na cara
Com todas as nuanças
Que tem direito a Ferida.

Poeta, bardo, aedo...
Quem assume
O compromisso
Que compr'omisso?

Quem assume
E finca seu estandarte
No cume
De seu estrume.

Do livro COM FISSÕES DE UM
PROTUSUÁRIO DE BOTECO.

O blog do Ricardo está linkado aí ao lado, ou no:

http://prodigus.blogspot.com












3 comentários:

Nanda Assis disse...

nossa adorei, a poesia dele é no estilo da sua bem legal mesmo.

bjosss...

L. Rafael Nolli disse...

É o cara!

Flávio Otávio Ferreira disse...

Grande RW...