21 de dezembro de 2008

DOSSIÊ FLÁVIO OFFER


Flávio Otávio Ferreira, ou Flávio Offer.

Seu Cata ventos gira e dá ventos a Pegasus.
Flávio escreve como quem toca um trumpete, como
quem tem vontade de vida. Como quem brinca com nuvens.
O vento voa e voa mas seus poemas batem e ficam.
Veio de João Monlevade e cruzei com ele num hotel que
eu trabalhava. Ele era hóspede lá. Alguém disse que eu
era poeta. Não sei quem, acho que Jorginho Vinnis.
Ficamos amigos, trocamos nossos livros. Tomamos umas.
Flávio Offer tem poemas e contos publicados nos blogues do
Brasil. Sua escrita é de um montanhoso. Sua alma é de um
artífice das letras. Sua presença é alegre e jovial. Seus poemas
são de alguém muito sacado e que sabe construir o mosaico.

Fiquem aí com alguns poemas de Flávio Offer:


UM ABORTO

No desespero de ver a vida passar
rabisquei palavras vazias
sobre estas pautas nuas...

E nesta desventura
fui gerar mais uma vida,
entrelaçado nas fadigas
e em tuas pernas,
fizemos a mais bela poesia...

Ao fim da noite
e destas loucuras,
mergulhamos
no mesmo vazio...

E a solidão
que nos invadiu
fez-me rasgar esta página
e abortar mais uma poesia...

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POESIA VIVA

A poesia não possui tempo nem espaço,
nem cor, nem dimensão certa,
pois no vazio,
o traçar de uma reta
traz poesia
aos olhos do poeta...
Poesia pode ser objetiva,
ou mesmo subjetiva,
depende do coração que cultiva...

A minha é um
barco
à
deriva...

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PROFECIA

Antes que o sol se ponha
No infinito
Rubor da tarde
E venah a noite
Escandalizar
Nossas fadigas,
Iremos nós, nos despir
Da desesperança
E mergulhar nesta nostalgia
Que se confirma...

E desvendados todos os mistérios,
Renasceremos
Para uma nova vida!

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Poemas do livro CATA VENTOS O DESTINO DE UMA POESIA.


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IV

Oh, Maiakóvski! Que ânimo te arrebataste
Desta vida estúpida?
Que verme atravessara-lhe a alma
A correr todas vossas esperanças?

Ah, meu caro poeta, seus versos traduziram
O espírito de uma época...
Teu grito, tua voz ecoaram na revolução.
Mas, onde foste?
Que miserável sentimento tomara conta de ti?

Não compreendo! Lançaste sobre vós,
Sobre vosso próprio corpo, toda a ira,
Todo despropósito em viver.

Oh, meu amigo, por que puseste uma bala
Em teu próprio peito?
Que motivos, que revoltas, que amores?
Tu foste homem, foi poeta.
Decidiste com coragem seu próprio destino,
Escreveste com a pena vossa própria pena,

E eu? O que faço de minha vida? ..
Não sou tão homem, nem tão poeta,
Encolho-me nas multidões,
Sou mais um, enchendo o papel de palavras,
Gritando meus silêncios e mais nada.

Ah, meu irmão, meu camarada...
Se houvesse em mim uma gota coragem
Chegaria "ás vias de fato", esmagar-me-ia, pois.
Mas, não sou grande como vós,
Nem tenho, sobremaneira, vossa postura,
E, meus versos são calejados, inspirados
Na insatisfação que é a vida, que vida!

Ah, se pudesses me ouvir!
Que conselho me darias, proletário poeta?
Há tempos a vida perdeu a cor e a razão
E minha inspiração está no enfado, no tédio.
Não encontro sentido na revolta, na luta,
Tudo se transformou em uma névoa obtusa,
Numa escuridão infinita, que nem percebo
O brilho da vida.

Sim, terei um dia, no desconsolo de um quarto
Escuro, a hombridade de silenciar-me.
Calarei para sempre esta voz
Que insistente vos declara minha covardia;
E, quando cessar-me de ser covarde,
Não haverá tempo para ter coragem,
Pois minhas mãos, tremendo de velhice,
Aceitarão, resignadas, a loucura que é viver
À espera da morte.

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SAGRADO CORAÇÃO PROFANO


I


Sou potencialmente culpado
Uma culpa que vem de gerações ulteriores
Pois do passado só poeira e cinza restam nas vidraças
Espectros e vultos que se avultam do chão sequioso
E, em torrentes, sobem até os vãos das janelas

Lambem as cortinas negras
Que balançam na escuridão da noite silenciosa
Não há espaço para dois corpos num mesmo lugar
indefinido
Mas há a indefinição de corpos num mesmo espaço
simultâneo
As sepulturas se abrem, esperam desesperadas
Gritam, clamam... querem a carne pálida do indigente,

Mas lhe é negada a oblação
Seu espaço é definido demais e os corpos ainda se
contraem
Numa busca desamparada de viver
Vivem o homem e o cão
Vivem a mulher e a serpente
Serpenteiam seus corpos oblíquos a enlaçar o homem
A sufocar o cão
Mas a morte não vem, não vem a doce lembrança,
Não vem o grito, nem vem o silêncio,
Apenas o descompasso absurdo de vultos que dançam
Sob um ritmo alucinado de Valquírias ensandecidas
Eis que surge a espada
A lâmina reluzente e mais nada...

Poemas tungados do blog do Flávio

O blog do Flávio está linkado aí ao lado, ou no:


http://flaviooffer.blogspot.com/

Um comentário:

Flávio Otávio Ferreira disse...

Valeu Cássio,
pela amizade e carinho que tens comigo.
Obrigado pelas palavras acerca de meu fazer poético!
abraços!