31 de julho de 2009

Tela de Marc Chagall


Tela de Marc Chagall

VONTADE

a lua transfigura Bella além

da fagulha de Chagall

grafito nuvens esvoaçantes no céu

limpo o desgaste do gordo engodo

o ponto de exclamação não me traz

nenhuma verdade

sugiro um azul caótico e fulminante

quando alma encontra alma

CAJAN

cão no silêncio
que a tarde sufraga em fúria

___________________

Cajan é o cachorro fila da minha prima que já correu

duas vezes atrás de mim.

POEIRA

ar que arde
olhos no reflexo vermelho
da terra viva no ar

COLA

aroeira cerrado
sicadur numa fala
que não pego

sindicato dos loucos

alma de poeta
dilacerada
em oxímoros telepáticos

30 de julho de 2009

...

dentro da interrogação
vejo exclamação
nas reticências

PASSANTE

Vida e morte
Ponte
Azar ou sorte

AMOR

Meu Falo tem um coração grande

HOJE

Tia Bell me diz bom dia, tio Walter vem nos beijamos
(beijo no rosto de pai pra filho) abraço raro de nobreza
Leio Olga Savary, o ero tismo dela na tese, bem
acadêmico. Tem hora que me cansa rodapés e citações.
Brasília está seca, o planalto ainda é o mesmo, ou melhor
é bem hard sun, sol duro seco, árido, o noticiário de ontem
mostra a bandaleira (essa palavra mesmo) 75 por cento,
ou 80 por cento de comissionados no governo Lula.
Lula tu é lelé mesmo(estou preguntando porque esse
notebook dos primos não sei onde é o acento de
interrogação.
Bom dei um giro legal,fui no Valparaíso.
Todo mundo quer fazer comércio,negócio
recebi proposta de serviço aqui vou refletir.
A mulher que me apresentou meu tio quer
me propor não sei o que. Mas proposta tem
que ser igual está pronta pra explodir

P.s. Ontem prima Ana foi na Biblioteca Nacional
ver Renata , poeta de Sampa. Gostei do teatro dela.

29 de julho de 2009

sitio ados

Não fique com essa de querer
o que é bom ou ruim
ou o que é, se não é se tem vírgula ou
está sem música ou se traduz ou não
a tradução de inevitável acontecimento
de previsível imprevisto que o tcham e bum clabum
pare com isso moço ou moça de entrar aqui nesse blog
que só faz glog e diz aliterações de coisas mas pegadas
e garradas no nada ou no tudo
tudo ou nada
vazio forma alhures apolíneo dionísiaco
entre cruz vertical e horizontal
tal de ti literatura
não me serve pra me comer ou me engolir
tlao xau tchau siao ...... leiam o gogol , os russos
e poloneses....

(num tédio mortal brasília)

jorro

esse glog são palavras citadinas desse blog

MARCIANO

esse blog não existe

SE.... SI NÃO EXISTE

PO
PO
PO
PO
PO
PO
ETA
MORTO
---------------------------------------------


MORTO
ETA
PO
PO
PO
PO
PO
PO
PO
PO

nevopallatore

Não adocique o vão
O barulho é certeiro o jazz toca
O conto é inibriante de verdades obscuras
Sim baby não adocique o vão
Ela ainda pula do jeito certo no colchão
Ele ainda vê ets no telhado
O que acha que isso é poesia
Cadê o acento circunflexo não é o interrogação
Não tô afim de confrarias poéticas militares delinquentes
Me deixem que não tô de bobeira e nem RAPPA rapa a besteira
O que é é é e...........
Deixa disso muleque o o virou ó e dá uma de texto
Zap corta corta tá muito preto o fundo desse blog

in nato

joão de barro
fazendo um haikai
na árvore bonssai

SANTIFICAÇÃO

me candidato a ex poeta

a poesia morreu...


sangro flores azuis cogumelos


a poesia morreu...

me candidato a ex poeta

eremita

SOL

SOL

MI DÓ RÉ FÁ FÁ FÁ

TODO ESSE ACENTO É ILUSÃO DE ÓPTICA

SOLO

28 de julho de 2009

TONALIDADE DA FAMÍLIA

Tô Tom on OMMMMMMMMMMM
Família Arlindo Tio Antônio CUNHA
Cunho meu salto com aroeira e outras
plantinhas do cerrado
Magna cartas a sorte meu sol no amplo
infinito minha busca interna constante
além de tudo e mais profundo
Valparaíso de Goiás na linha Brasília
Gama, Guará, Vicente Pires, Bandeirantes
na estrada on the road meu faiscar kerouckiano
com kkkkk minha risada além do riso
manha de um cão vigilante na gabine 13
rodo e rodo calor seco longe das minhas MINAS
Minas na rua mostram umbigos desejáveis
Fabrico o inesperado num poema que sintetizo
no Im previsto
Robson meu general trautmal finaliza o trem no
punctum.

TARÔ

magia em ação
cartas dizem
sol no futuro.

Brasília 28/07/2009.
seco árido
atravesso
o cerrado.

Brasília 28/07/2009.

27 de julho de 2009


Tela de Marc Chagall

SINTONIA

O infinito do além se acha no encontro

VISITA

cor AÇÃO pendurado na água
pedalado
na parede carros estacionados recife
hora adornos dos contornos de estátuas os olhos
falam na direita um escurinho que entro e saio
chão no acento ininterrupto de flexes ínfimo da
percepção no momento onde a arte se faz presente
na parede verde do domingo mágico.

26 de julho de 2009

IMPREVISÃO

Um olhar que golpeia a alma

IMPREVISTO

Marca do pensamento que faço no tempo espaço

IMPREVISTO I

Som no tom do silêncio

IMPREVISTO II

suspiro do destino desprogramado

KAMIQUASE

jjjjjj

Al barux Desencontro

Primavera e Sol
na contramão
Sol e lua
na descida da vida
Tudo muito espiritual
Nada além de voz
Pétalas de faícas marcianas
Além do calor cerrado blue
Leveza da câmara clara
Obscuridade da alma densa
Neal Cassady, Allen Ginsberg, Kerouac
Uivo avesso de todas as coisas
Baudelaire no acento de Poe
Um poema de cílios
Uma mensagem de não
Um vento passadino
Dom Quixote no livro dos sonhos

ASPECTO DE REALIDADE.

sim sim
sim sim sim
entendo entendo sei
entendo não sei
sim sim sim não não sei
o gato é branco
o preto já morreu
sei tudo é prático tudo sei...
sei que tudo é viável além do metal o vil é fato
clareza prosaica de vida que diz real
normas
meus rufos atômicos
sei sei sei.... depois depois depois
depois de tudo ou de muito além sei
tô sabendo mas não tenho $

$IFRAÇÃO

JOGUEM O POETA DO NAVIO
ELE NÃO TEM NADA
NÃO LHE DARÁ GRANA
APENAS CORAÇÃO

NOITE A DENTRO

caio no seu ensaio
e Falo
assim me santifico

Virtú

O virtual
tem hora que é a virtu e a fortuna
de Maquiavel

SICADU

Pureza embevecida de gente
Um gole de pinga
Dez cervejas do domingo
Filósofo de plantão
Cearense na prosa
Sicadu humano com h
humanista de vida vivência de alma
experiência na passagem
prosa de amigo no falar das imperfeições
Clareando a passagem do df no átimo do tempo.

O AVESSO DAS COISAS

cama separando
casal
na ponta da cama

25 de julho de 2009

KONA HUMUHUMUNUKUNUKA'PUA DE LUXE

uma hora de pedal
robson me deixa uns 5 ou 10 km para trás
lago sul quadra 27 risca o cerrado
faísca de lobo uivo de pinela além do
tato ou galhos que dizem a vegetação
sol hard sun famigera preparo
ulululante ululu KONAHUMUHUMUKUNUKA'PUA DE LUXE
jardim botânico no avesso das coisas onde

Animal

A superioridade do animal sobre o homem está ,
entre outras coisas, na discrição com que sofre

ANDRADE, Carlos Drummond na celta que onda partida
DRUM MOND Afiança a Corrêa de venoso sangue dos paulistas
o trem mineiro atrás só filmando o movimento na panturilha que
brinca de lua assada no df.

(pedal de 20 km 1 hora sol pra lá de quente )
Brasília 25/07/2009.

24 de julho de 2009

O mesmo título de uma obra
de Knut Hamsum



Seria aceitável se estivéssemos
firmados em um deserto de sal
devorando o pneu dos tratores.

Se fôssemos aniquilados por
terríveis gafanhotos bíblicos
estragando os olhos das mulheres.

Seria aceitável se nos achássemos
em terras incultas dentando os arados
e enferrujando os ossos dos homens.

Se vivêssemos sobre um chão
diurético, por décadas incontáveis
afogando as auto-estradas e os silos.

Seria aceitável se nos restasse a terra
imprestável para sepultar os chacais,
dia-a-dia corroendo as mãos das crianças.

Se habitássemos um solo indisposto
nauseado das sementes, asfixiando o céu,
estrangulando a paisagem.

L. Rafael Nolli

Da coletânea POETAS EN/CENA
Reunião de poemas de poetas brasileiros no V Belô Poético.

O blog do Nolli está aí ao lado, ou no:

http://rafaelnolli.blogspot.com/

23 de julho de 2009

KISS

Sete anos de idade pedi pra meu tio que morava em

São Paulo um broche do KISS.

Menino diferente da turma, quieto, ligado a música.

Já tinha visto KISS na tv e pirado.

A professora detestava meu broche. Colocaca na minha blusa, japona

como diziam naquela época e ia pra aula.

Sempre gostei do Kiss e hoje adoro do mesmo jeito.

Forever que é uma balada que gosto:

http://www.youtube.com/watch?v=C8LSQNdkXPY

QUE BRASIL É ESSE - URBAN GROOVE

Meus amigos e irmãos de Sampa Bebeto Cicas e Maicknuclear e a galera lá do

URBAN GROOVE:



http://www.youtube.com/watch?v=ujaN0nI0XqE

22 de julho de 2009

ROTA

Pegue a bike
estrada velha do barreiro
um pedal sol dia vida
pulo na porteira
passar por dentro das árvores
ver o verde in natura
um retrato da natureza
descida forte
lago zen do lado esquerdo
passar, passar ....
pular cerca na chegada
ver outro lago
entrar no sol
subir lugar mágico hotel rádio
mirante água e descanso
descer
tirar camisa tênis e pisar na terra
ver a lagoa e transcender pássaros voam
uma canalização
possível
SEDUÇÃO

Não sim não sim não sim
sim não sim não sim não
NÃO NÃO NÃO
SIM SIM SIM
NÃO SIM
NÃO
SIM
POETA

Extra Terrestre

POEMA II

o urro de todos os cachorros que são azuis

POEMA

o silêncio crispado em palavras incendiadas
Dionisíaco

pinta tua face
além da noite Pêssega
pêgas
dispara nos meus uivos
silêncios aquecidos de urros
pega tua pegada fatal
além do que é vida
tatua na alma
vem com vinho
vem
Pat Matheny toca seu brilho
sua luz que pegam
tua arte pega transcedental
pintura de uma diva
que incendeia a tela
quando a pele é palco
de melodia e composição

meu enterro...

detesto jazigo, plantem um jardim sobre mim

17 de julho de 2009



A maior nota da vida chama-se alma (essência).
As notas valem sim para o currículum, para a aprovação.
Mas penso que a nota máxima é a busca, a dedicação,
a leitura. Leitura, a leitura, a bagagem cultural, o humanismo,
a fraternidade, o sol na alma, na essência. Isso ninguém jamais
pode tirar de um ser humano. E hoje a humanidade está precisando
ser HUMANA.
haikai do tio Leminski:
HERRAR
É
UMANO
Estou de férias.
FOME

corpo no frio
encontra alma
vinho
Pleonástico

pingo um i
na ?
e dou !

CONTINUEM, POR FAVOR...

Era uma história sem vez, em vez de hera subia o muro-porta, do outro lado precisava ser mais rápido que o cão, as frutas na camisa-sacola, de volta ao córrego, na sombra, o banquete regado à água corrente...

(ROBSON CORRÊA DE ARAÚJO)

lavar as maçãs come-las todas
manhãs que correm em vez de história
sem vez de hera assim tem era que já corta
limpeza e traz primavera na boca
do tempo que fagulha vida.

(Cássio Amaral)
reticências estudantis

EXTRA
EXTRA
EXTRA
classe

15 de julho de 2009

LEVEZA

Tela de Rosana Pegas


Pinto
Amor
Stellar
Gozo
Vida

13 de julho de 2009

TELA DO MEU AMIGO WELLINGTON TELLY


SOPRO

vida fora
mente dentro
tudo aurora.

12 de julho de 2009

MÚSICA

riscar o céu
de forma clara
além das nuvens

10 de julho de 2009




Eu, Rodrigo de Souza Leão , Rafael Nolli e Ricardo Wagner em 2007 .


Rafael Nolli escreveu um pequeno texto

sobre nossa passagem pelo Rio e o encontro com Digão.

Podem conferir no blog dele:




Tem um texto bacana também no blog da Beatriz Bajo em homenagem ao Rodrigo:






9 de julho de 2009

DIGÃO AMIGO VÉIO!!!

Missa do Digão:

convite :missa na 6ªfeira - dia 10/07 -
às 18.30h na Igreja Nossa Senhora da Paz - Ipanema RJ
Homenagem ao poeta

O poeta Rodrigo de Souza Leão, será homenageado na próxima quinta-feira, dia 09 de julho, às 19 horas, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.
O poeta faleceu na última quinta-feira, aos 43 anos, acometido por um ataque cardíaco.
Com as participações de Claudio Daniel, Donizete Galvão, Franklin Alves Dassie (RJ), Frederico Barbosa, Glauco Mattoso, Greta Benítez, Horácio Costa, Leonardo Gandolfi (RJ), Luiz Roberto Guedes, Marcelo Ariel, Márcio-André (RJ), Marco Antônio (Pezão), Paula Valéria, Pipol, Paulo de Toledo, Tatiana Fraga, Valéria Tarelho e Virna Teixeira, poetas contemporâneos e amigos de Souza Leão.
Serviço
Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 - Bela Vista (11) 3285.6986 / 3288.9447 contato.cr@poiesis.org.br www.casadasrosas-sp.org.br

7 de julho de 2009


CEREBRAL
Para Rodrigo de Souza Leão

A coisa coisando
Tudo causa
Vida pele no fatal
Gangrena no verso conciso
Os deuses dizem pegue sua lira
No labirinto da sina
Faça da passagem
Volts
Eletrodos que gingam na tua
poesia musicada
vulcão do leão
que uiva todos os cachorros azuis.

Cássio Amaral.
07/07/09

5 de julho de 2009

SANTA LOWCURA




Estou ouvindo o cd do Rodrigo de Souza Leão KRÂNEO e seu neurônio.
Cd que tem 10 músicas mixado por Tavinho Paes e parte musical
de Gizza Negri.
Poemas pra lá de bons no cd musicados pela energia dos três.
Não tenho programa e nem sei colocar isso na net,mas o cd
se ouvissem iam gostar.
Ele me mandou em 2007 de presente, com autógrafo
"Abraço do amigo Rodrigo" . Assim como seu livro
TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS em 2008.
Deixou um livro inédito chamado O CAGA REGRAS de poesia,
que me disse que não estava afim de colocar no mercado
por enquanto.
Não por ser meu amigo,mas era um gênio, do bem
e muito educado.
Falávamos toda semana via msn, via email. Ele
me apresentou Olga Savary que será minha leitura
para a elaboração do meu projeto de mestrado.
Digão era muito meu amigo. E a medida que escrevo
agora não posso impedir as lágrimas que caem da minha face.
Uma das músicas aí
SURTOMANIA
1
pânico
no circo
alado
das têmporas
endorfinas
macaqueando
a goiaba
pineal
volts
em volta
eletrodos
todos
de branco
culpados
culpas
pecados
haldol
no leite
ralo
do tempo
clitóris
de plástico
na sopa
de adrenalina
2
nodoas
nuas
cristalizadas
na nuca
injete
tudo
camisa
sem mãos
sem mangas
nos olhos
apenas
antolhos
na janela
áurea
de peristilos
punça
de morte
fode
4
peixes
fisgando
anzóis
comicham
no corpo
baleias
de chupeta
5
na veia
sossegada
o leão
caminha
inválido
de juba
cortada
cuspindo
vida
curta
em curto
circuito
fechado
faixas
vendas
ferem
as paredes
sem degraus
as pilastras
sem grade
degrade
de sol
de lua
chuva
desbotada
eletrochoque natural
enguias
guiam
volts
na cabeça
dos cegos
de
si
RODRIGO DE SOUZA LEÃO
(4 de novembro de 1965-2 de julho de 2009).
DO CD KRÂNEO e seu neurônio.
A entrevista que Ricardo Wagner, L. Rafael Nolli e eu
fizemos com com ele em janeiro de 2007 está aí abaixo.

LERO LERO COM RODRIGO DE SOUZA LEÃO


Estivemos na casa de Rodrigo de Souza Leão, Rafael Nolli, Ricardo Wagner, e eu Cássio Amaral. E rolou esse lero lero:Cássio Amaral: Rodrigo, você acha que a poesia é um espécie de disritimia?O poeta nessa onda de se expressar e se inter- relacionar com o que ele vê e consigo mesmo você acha que é uma espécie de loucura?Rodrigo de Souza Leão: Eu acho que sim, principalmente os poetas da vanguarda atual.Esse papo que vanguarda morreu eu acho que é meio estranho porque sempre existe gente que está na contramão, que está fazendo coisas de invenção. Por exemplo o Claudio Daniel é um cara que escreve muito bem e de uma forma alucinada, meio louca. O próprio Rafael Nolli.Rafael Nolli: Mas eu não tenho forma nenhuma, não consigo trabalhar forma e conteúdo, e eu queria ter forma e conteúdo.E o Claudio Daniel já tem uma forma e um conteúdo. E igual você tem.Rodrigo de Souza Leão: O que eu quero dizer é que muitos poetas hoje estão falando que forma é conteúdo. Acredito que seja. Mas muitos estão privilegiando a forma ao conteúdo. Então o poema que fica ilegível.Ricardo Wagner: Estabelece uma hierarquia. Ao invés de uma complementar a outra. Uma prioriza a outra.Rodrigo de Souza Leão: Eu acho que a forma tem que ser Apolínea. E o conteúdo Dionisíaco. A forma deveria ser mais na estruturação do poema. E o conteúdo mais caótica. Aos invés do contrário.Rafael Nolli: O que nós percebemos é que aqui no Rio há uma preocupação maior com a forma e desprezam bastante o conteúdo. Temos conversado muito sobre isso, aqui a poesia é basicamente falada. Há forma de expressão, sonoridade e quase sempre não tem conteúdo.Ricardo Wagner: Cultivam o exercício da oralidade.Não têm preocupação pelo garimpo.Rodrigo de Souza Leão: O que eu procuro dizer é o seguinte:Pro cara que não é louco é mais fácil o formal e o conteúdo do que pra quem é louco.Rafael Nolli: Em que sentido?Rodrigo de Souza Leão: Por exemplo você fazer um verso se você não tem problema de loucura pra você falar de loucura fica uma coisa mais simples. Pra mim hoje em dia, não antes, mas hoje em dia, quando eu não falo de um tema bravo, de loucura, de morte eu não consigo fazer o poema. Fica um poema meio atípico.Então, eu sinto mais facilidade quando há essa disritimia, essa loucura.Eu tenho mais facilidade de escrever poesia que prosa.Mas a minha prosa... Eu não gosto de escrever prosa. Poesia não eu gosto, eu me divirto, eu me sinto bem, ou mal até, mas eu me sinto. Prosa é um trabalho, sentar ali e escrever. Ás vezes é chato pra burro. Poesia é uma coisa curtinha , você faz em dez minutos. Prosa não você demora uma hora para escrever uma página. Eu até estabeleci um ritmo que eu tenho de prosa:Eu tenho Carbono Pautado, Todos os cachorros são azuis, Homem telefone, queé uma homenagem ao meu irmão que fica no telefone, fica na sala de bate papo, no telefone tentando ganhar a garota.Gargalhada Geral de todos.Rodrigo de Souza Leão: Aí esta estória de telefone, eu fiz uma novela, são setenta páginas falando sobre o homem telefone. O cara que fica no telefone. O cara transa com uma anã, com uma deficiente física.Aí ele reclama do autor que só transa com os problemáticos, aí o autor da uma maravilha pra ele. Eu vou contar o final...Aí o personagem mata o autor.Rafael Nolli: O personagem é que mata ou autor, inversão de valores.Rodrigo de Souza Leão: É,inversão de valores.Rodrigo de Souza Leão: Tem um outro que fiz agora está sem título tem trinta e cinco páginas, uma novelinha. Eu prefiro escrever novela, do que escrever texto romance. Só tenho um romance que é o Memórias de um auxiliar de escritório. E o romance é trabalhoso e ás vezes não fica como você quer. E a novela dá pra você ter um melhor controle.Uma coisa interessante que eu me lembrei agora é que eu fui renegado até pela editora do psicólogo.Eu mandei um livro pra lá Casa do Psicólogo chama. Todos os cachorros são azuis é o nome do livro, conta as minhas passagens pelo hospício, por estes lugares. . O Glauco lançou um por lá. Aí eu falei pô nada melhor lançar um livro pela Casa do Psicólogo, não vai ter lugar que vai me acolher melhor que a Casa do Psicólogo pra eu lançar o livro. Aí em mandei o livro, não deu dois dias o livro estava de volta. Pelo menos me devolveram o livro pra eu mandar pra outras editoras. Mas geralmente só vão pela carta proposta. E o carbono pautado mandei pra Objetiva e a pessoa mandou uma carta pra mim dizendo o seguinte que tinha gostado do livro e ia entrar em contado comigo, achando que eu tinha perdido a mão no meio pro fim. Aí eu peguei o telefone e liguei pra Objetiva e tentei falar com esta pessoa, mas ela não quis me atender. Aí eu fiquei meio chateado com esta estória, era meu primeiro livro em prosa, seria uma oportunidade de ser lançado.Rafael Nolli: O que devolveu pra você em dois dias possivelmente não foi lido.Cássio Amaral: Talvez eles não sacaram.Rafael Nolli: Eles querem é ficção.Rodrigo de Souza Leão: Eles querem é ficção, teoria. Eles querem essas coisas. A Casa do Psicólogo.Cássio Amaral: Meu apelido é cachorrão. Então você tem um livro que chama Todos os cachorros são azuis?Rodrigo de Souza Leão: Todos os cachorros são azuis, porque era um cachorro de pelúcia azul que eu tinha quando era pequeno.Rafael Nolli: Esse aqui não é de pelúcia não (risos) aponta pra mim (Cássio Amaral) risos.Cássio Amaral: É um livro de memórias?Rodrigo de Souza Leão: É de memórias e das minhas passagens do hospício duas vezes. Tem umas pessoas que lembram pessoas relacionadas a minha infância, tem uma que lembrava minha avó. E eu achando que minha avó estava internada, minha avó já tinha morrido há dez anos.Rafael Nolli: E a internet? Como que começou pra você?Rodrigo de Souza Leão: A internet foi ótimo! Isso aí foi maravilha! A partir de 1998 eu acho, 1997 surgiu a internet aí eu comecei a entrevistar as pessoas, inclusive eu tenho umas duzentas, quase trezentas entrevistas que eu arquivei. Eu entrevistava e criei o site CAOX, botava lá uns dois poemas e as entrevistas. Eu achei que a melhor forma de eu me divulgar seria divulgar os outros. Como eu não era conhecido por ninguém eu poderia ter acesso aos livros. Muitos escritores quando você vai entrevistar não mandam porra nenhuma, mas hoje mandam os livros. Então, eu pude conhecer toda minha geração: Ademir Assunção, Claudio Daniel, Ricardo Corona, César Alcíades, todos estes escritores que estão hoje num patamar um pouco melhor. Pra mim foi muito importante a Internet, porque eu pude fazer o meu trabalho de jornalismo. Eu sou formado em jornalismo. Eu consegui me formar em 1988. Eu tive problema em 1989, então eu consegui acabar a faculdade.Cássio Amaral: E hoje na música o que você tem ouvido, escutado?O que você gosta?Rodrigo de Souza Leão: Eu gosto muito de White Stripes, eu acho muito bom, principalmente com a guitarra, limaram o baixo.Eu continuo escutando o que eu sempre ouvi, eu gosto muito de Jimi Hendrix.Cássio Amaral: Você curte os clássicos? Black Sabbath?Rodrigo de Souza Leão: Não sou muito Heavymetaleiro não.Cássio Amaral: Você curte Neil Yong?Rodrigo de Souza Leão: Curto, mas não muito. Eu sou mais fã mesmo é do David Bowie.Bruno de Souza Leão entra na sala e nos é apresentado pelo irmão Rodrigo.A entrevista segue rolando. Bruno nos conta que foi baterista. Ele e Rodrigo tiveram uma banda que tocou no Circo Voador.Rafael Nolli: O Bruno parece o Edgar Scandurra.Cássio Amaral: Parece mesmo.Rodrigo de Souza Leão: O Edgar Scandurra?Cássio Amaral: O Edgar Scandurra está com Arnaldo Antunes agora, não é? Gravaram Lupicínio.Rodrigo de Souza Leão: Gosto muito do Arnaldo Antunes, tanto como compositor como poeta.Rafael Nolli: Tem poesia na música atual brasileira?Rodrigo de Souza Leão: Eu acho que tem.Cássio Amaral: E as bandas do Rio, você gosta de Los Hermanos?Rodrigo de Souza Leão: Eu gosto depois que desistiram de Ana Julia. Aquilo era um saco! Com este disco novo eles estão bem melhores. Mas não gosto quando eles vão muito pro samba. Acho que fica muito diluído. Eu tenho um cd pronto de música e poesia. É uma mistura de eletrônico com Rock, é um trabalho diferente. Pena que eu não tenha uma cópia do cd pra mostrar pra vocês, acho que vocês iam gostar.Tem um punk rock que foi a única letra que o Bruno fez que chama Esquizofrenia, é assim:Estou presoGrito socorro para alguém me ouvirFico angustiado falta me arEstou malPasso malNós gravamos e vou dar os créditos a ele.Cássio Amaral: E a cena em São Paulo, você conhece?Rodrigo: Talvez mais que daqui do Rio. Aqui no Rio é comandado pela SETE LETRAS, que sempre lança os escritores novos. Lá em São Paulo parece que o Claudio Daniel está com uma coleção nova. Tem a Iluminuras, conheço bastante gente. Teve a Lamparina, que lançou Antônio Mariano, que é da Paraíba.Rafael Nolli: E essa sua ligação com a Paraíba? Já é a terceira vez que você fala na Paraíba.Rodrigo de Souza Leão: Meu pai é paraibano. É, essa cabeça de ovo.Rafael Nolli: Então está explicado.Rodrigo de Souza Leão: É, a Paraíba é a terra do meu avô, da minha avó.Rafael Nolli: É a terra da poesia também! Augusto dos Anjos.Rafael Nolli: E o Mangue Beach? Chico Science?Rodrigo de Souza Leão: Chico Science era muito bom né! Era um cara genial.Pena que morreu tão cedo. Vocês vejam que nós perdemos Cazuza, Renato Russo e Chico Science antes dos quarenta anos.Rafael Nolli: É o que aconteceu com a geração do Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison.Rodrigo de Souza Leão : talvez seja o mal do Rock.Cássio Amaral: É a intensidade de viver a arte.Rodrigo de Souza Leão: Eu gosto muito do The Doors. Eu tenho um amigo baixista ele detesta o The Doors porque não tem baixo.Rafael Nolli: Já é a Segunda vez que você fala da falta do baixo, seu problema com o baixo está explicito aqui.Rodrigo Nolli: Não, eu gosto de baixo.Cássio Amaral: Como você vê a volta dos Mutantes. Isto em outra época, com outro contexto e com a Zélia Duncan. Como você entende isso?Como você vê trazer The Doors como cara do The Cult?Rodrigo de Souza Leão: Eu acho isso uma babaquice, se fosse pra voltar ressuscitava o Jim Morrison e botasse pra cantar, pegava a Rita Lee e botava pra cantar.Cássio Amaral : Não é a mesma química?Rodrigo de Souza Leão: Não é a mesma química, não são os mesmos cantores. E a Rita Lee era linda naquela época. Eu não vejo como uma coisa legal.É como a volta dos Beatles há um tempo atrás que todos mundo queria que voltasse. Eu acho que o passado passou e tem que ficar no passado.Rafael Nolli: E o Pink Floyd? Como você viu a volta deles. O Pink Floyd não acabou, mas tem a questão do Waters...Rodrigo de Souza Leão: Eles tocaram quatro músicas e eu chorei. Eu sou contra, mas você vendo os caras ali...Rafael Nolli : O Waters não fez falta, fez? O Pink Floyd sobreviveu bem sem ele.Rodrigo de Souza Leão: Não, parecia U2 o Pink Floyd.Rafael Nolli : Eu acho que sobreviveu.Cássio Amaral : Um amigo meu viu e falou que foi bacana, que a química deles flui muito ainda juntos.Rodrigo de Souza Leão: Eu comecei como letrista. Meu irmão teve banda, várias bandas. Até que ele se firmou numa, chamava Eutanásia. Eu tentava cantar. Eles tocaram Jimi Hendrix, Black Sabbath. Eu tentava cantar, mas como ninguém me dava chance eu pensei vou ser letrista. Aí escrevi uma letra na faculdade, a Suzana Vargas era minha professora, é até uma poeta conceituada. Ela disse escreva o que vocês quiserem.Eu escrevi então Bomba H:A bomba é a soluçãoEm certa situaçãoNão é crise geralImposto territorialAí ela deu pra sala de aulas, mas ninguém leu o texto.Meu irmão pegou a primeira parte da letra e fez a segunda parte com a Eutanásia e virou um hit aqui. Eutanásia tocou na rádio fluminense.Eu continuei, aí eu fui fazer aulas de canto.Fiz aulas de canto um tempo. E depois entrei numa banda chamada Pátria Armada e fizemos um certo sucessinho, tocamos no Circo Voador, Let Bee, Made in Brazil.Cássio Amaral: Pátria Armada era Punk?Rodrigo de Souza Leão: Pós Punk.Cássio Amaral: Influência com as bandas inglesas?Rodrigo de Souza Leão: Não, eu comecei a gostar de Rock quando meu tio Paulo César Duarte, que é um grande crítico literário aqui do Rio me deu quatro discos, três dos Beatles e um dos Rolling Stones aos quinze anos. Mas eu nem sabia que aquilo era Rock. Mas o Rock mesmo veio com a Legião Urbana, quando eu peguei aquele disco branco, um amigo meu me emprestou. Eu falei é isso aí que eu quero fazer. Aí comecei imitando o Renato Russo literalmente, mas eu não tinha a voz do Renato. Aí fizemos o Pátria Armado com a influência da Legião, mas ficou diferente, pois tínhamos nosso punch. Eu gostava do U2 naquela época, o Bono cantava muito mais que hoje. Sunday Bloody Sunday, ele consegui aqueles agudos altíssimos. Uma coisa espetacular! O Bono pra mim era um cantor incrível, Continuo gostando muito do U2, mas acho que o Bono piorou. Fizemos o Pátria Armada. Aí no Pátria Armada eu fazia as letras e cantava.Escrevi também Carbono Pautado, que é um livro de memórias de um auxiliar de escritório. Conta os bastidores do trabalho. É um livro de Prosa. Ele tinhas umas novecentas páginas. Eu fui limando e o finalizei em dezentas páginas. Eu queria ser o Balzac do funcionalismo público. Contar os podres que rolava nos bastidores do funcionalismo público.Eu tinha um chefe muito chato, toda vez que ele me sacaneava eu colocava uma suástica na minha agenda.Uma vez caiu a agenda e eu pensei assim vão achar que eu sou nazista.Aí fui contando essas estórias e estava sem revisão. Fiz a revisão, mas não consegui publicá-lo ainda.Recentemente o Horácio Costa esteve aqui e deixei com ele dois livros, um de prosa o Todos cachorros são azuis e um de poesia.E está na internet:todoscachorrosblogspot.Ele falou que gostou muito, e indicou para um editora.Agora com este projeto da Petrobrás eu vou tentar concorrer com a bolsa. Eu tenho livro com ISBN, a carta da editora. Eu quero ver se eu concorro. Sei que é muito difícil. Mas vou concorrer.Cássio Amaral: E a pintura como entrou na sua vida?Rodrigo de Souza Leão: Vamos ali que vou mostrá-los pra você.Rafael Nolli: E a técnica dos seus quadros?Ricardo Wagner: Você faz igual o Pollock? Joga as tintas da lata?Rodrigo de Souza Leão: É, eu jogo as tintas da lata. Depois vou com um chuverinho de bidê. E faço a estrutura. Mas o quadro fica tão difícil de secar, fica um ano pra secar. Eu só vim a saber depois que óleo não se mistura com água.Rodrigo de Souza Leão: Eu chamo aquele de Derrame e este de lua (nos mostra os quadros).Rafael Nolli: O derrame é mais intenso.Cássio Amaral: O derrame tem uma pegada mais punk.Rafael Nolli: Num calor muito forte é possível eles derretam. O David Makin, que faz capa de revista em quadrinhos, fez as capas do Sadman, numa dessas experiências um quadro dele num museu derreteu. E foi até interessante, que ficou na parede.Rodrigo de Souza Leão: O glauco Matoso é muito meu amigo, ele é um cara que une o apolíneo ao dionisíaco. E ele faz uma poesia que é a pegada dele.Ricardo Wagner: Ele concilia a forma e o conteúdo, consegue esse equilíbrio.Rafael Nolli: Tem alguma ligação das suas telas com sua poesia?Rodrigo de Souza Leão: Tem uma ligação num sentido. Eu faço muita gente chorando. Tem um lance com minha poesia pelo fato da estabanação da loucura. Acho que não são quadros de teor artístico elevado, é mais uma manifestação do meu inconsciente. Eu consigo escrever coisas de uma forma simples, que eu considero com conteúdo e com forma. Eu poderia fazer versos simples sem falar de loucura, mas não consigo. E isso que eu acho que é o difícil. Sempre procuro isso, que o apolíneo e o dionisíaco na minha poesia dentro daquilo que eu vivo.Rafael Nolli: Queira ou não você realmente é poeta, toda essa questão. Você tem formação, instrução, bagagem e conhecimento de poesia. Além de qualidade e conteúdo. É poeta mesmo. Você estaria até se traindo se não falasse do que vive. Tavinho até falou disso ontem, da poesia ajudar as pessoas, não quem tem problema de saúde, ou mental.Rodrigo de Souza Leão: Quem tem o problema está em outro mundo. Um mundo particular, eu vivo no meu mundo particular.E eu coloco pra fora este mundo.Ricardo Wagner: Você não se envergonha, não faz apologia ao que você tem. E como o Glauco Matoso, ele não esconde o glaucoma. Você encara usando a linguagem.Rodrigo de Souza Leão: Eu não vou fugir nunca a isso. Apesar de eu começava escreve sem tocar neles. Eu escrevi dez E-books .Eu comecei com o OLHO LITORAL DO TEMPO, tem o prefácio do Claudio Daniel, ele gostou muito. Ele é muito amigo meu, nós fazemos a Revista Zunái. Que é uma revista que o Claudio Daniel tem um carinho muito grande. A Ana Peluso que é gente fina demais.Cássio, Ricardo, Rafael : A Ana é amiga nossa. Nós gostamos muito dela.Rodrigo de Souza Leão: A Aninha é demais. Falo muito com ela, é gente boa. Eu escrevi NO LITORAL DO TEMPO, também escrevi IMPRESSÕES SOBRE PRESSÕE ALTAS. Eu tenho pressão alta. Aí fiz Impressões sobre pressões altas. São poemas que falam do Impressionismo: Van Gogh, Monet, Gauguin... Fiz dez poemas sobre cada um, bem interessantes.Rafael Nolli: Van Gogh você disse?Rodrigo de Souza Leão: Van Gogh é demais! Eu gosto do pop também. Esse papo de underground distancia as pessoas.Por exemplo nos anos 80 o underground foi criando vários under. Fica aquela coisa, o under do underground.Rafael Nolli: O pop pode aproximar mais as pessoas para a poesia.Rodrigo de Souza Leão: Você veja o primeiro disco da Legião, Cara, tem muita música legal ali. A Dança, o Reggae e outras mais.Eu gosto de todos da Legião. Eu e meu irmão. Meu irmão que é meu parceiro, meu amigo.Rodrigo de Souza Leão é jornalista, poeta e escritor. Um cara pra lá de gente boa e escreve no blog: http://lowcura.blogspot.com/ , podem ir lá e conferir!
Um poema aí do Rodrigo de Souza leão:
AINDA BEM
Hoje em dia, quando alguém está doente, a família chama a polícia.
A polícia vem e bate um papo com o cara. Se for preciso, colocam
a camisa de força.
Eu não tinha como resistir: eram três tiras mais fortes do que eu.
Eles me levaram junto com o meu irmão. Acharam que eu não tinha
nada, mas meu pai sentia um medo danado que eu fizesse alguma loucura
Mas eu era um perigo só para mim mesmo.
Do começo podia sair o fim, mas eu não queria rimar pobre
com nobre em versos de impacto, só queria um pacto entre mim e você.
Eu jamais poderia dizer que só faria mal a uma mosca. Eram
centenas e centenas delas, e matei algumas por prazer.
(Rodrigo de Souza Leão)
Blog: http://lowcura.blogspot.com/

4 de julho de 2009

PAULO CASTRO LÊ DOIS POEMAS MEUS:



http://www.youtube.com/watch?v=pgojPCcQ1G0


Há vários vídeos legais do Paulo no youtube. O link do blog
dele está aí à direita.

Tenho ainda 70 exemplares do livro Sonnen
que está R$ 15,00 já com postagem.
Podem adquiri-lo pelo meu email camal567@gmail.com

2 de julho de 2009

A POESIA CHORA


Cheguei da escola onde leciono de manhã.
Abri o email e vi que tinha um recado no orkut
da Maria Dulce. Não me toquei de cara quem era,
mas o recado me deixou muito triste e foi um golpe
fulminante. O irmão dela, meu amigo e irmão
Rodrigo de Souza Leão passou hoje para o mundo
espiritual.
Digão que recentemente me apresentou Olga Savary
que é minha leitura para elaborar meu projeto de mestrado.
Aquela tarde no Rio, onde Ricardo Wagner, L. Rafael Nolli
e eu o entrevistamos. Rimos, aprendemos e sacamos muita
coisa de literatura e poesia.
Na minha concepção ele é o melhor poeta da sua geração.
A geração anos 90.
Seu livro Todos os cachorros são azuis está concorrendo
entre os 50 livros do prêmio Telecom Portugal.
Mano véio estou muito triste porque achei que
em breve iria no Rio pra te dar um abraço e rir com você.
Sua obra fica e fala por si só.
Rodrigo de Souza Leão é uma luz no fim do túnel na época de vacas
magras, de consumismo acelerado, de poetas que só querem ser
considerados poetas pop stars e estrelinhas.
Digão é o corte, a espada, a lança , o grito e a equilibrada
sutileza da poesia. É muito além do que críticos possam
definir.
Estou triste,mas de onde estiver sei que sua poesia vai brilhar
sempre.

TELA DO DIGÃO


Tela de Rodrigo de Souza Leão

TUDO É PEQUENO




Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O grande
É a arte
Há vida em marte
RODRIGO DE SOUZA LEÃO
Blog do Digão linkado aí ao lado,

1 de julho de 2009

ATLÂNTIDA
Para Olga Savary

pisar no cio das palavras
varrendo o vento na carne
bebendo o gozo na água da vida
FAGULHA
Para Alice Ruiz


o futuro
é o claro
dentro do escuro

CONFUCIONISMO

Escreve não
Descreve uma paisagem
Mete um conto aí na prosa
Sabe as formiguinhas trabalham também
E não tem poesia na lida não!
Sabe esse sol tá me ofuscando a visão
Mas quero ficar nele sim
Hei, deixa disso moço
A sombra ainda diz desconfiança
Na dúvida sendo o princípo da crença de Confúcio

MEDITAÇÃO

tantos zeros
além do conteúdo
no todo da recuperação

.... Quando há jogo

silêncio
silêncio
silêncio
Falo

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

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vidas cheias de quadrados
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