27 de fevereiro de 2011

HAI-KAIS DE DOMINGO.

Foto de Isaías de Faria

CONSUBSTANCIAÇÃO

uma palavra 
vira pedra
no momento zen

SATORI

sol faz brincadeira
de menino
que ri no dia

HAI - KAI
Para Olga Savary

Sol Nascente queima pele do texto
A água é o gozo
Além das palavras




25 de fevereiro de 2011

Somos poeira cósmica.


Foto de Robson Corrêa de Araújo

Os alunos sabe o desaber de não entender

minha tela vê o olho que olha e olha
o olhar é uma simples descoberta
a fotografia brinca o invisível a colagem
do inesperado. branco além do branco
busco explicações que não se explicam
pra quê explicação se cada um faz seu caminho
o dicto do poema comunga sim com a prosa
professor pergunta ao alunos:
_ entenderam?
ninguém responde.
sinal de que ninguém entendeu nada.
o aluno abre o penal do professor e deixa
um bilhetinho escrito:
_professor, o senhor acha que nós entendemos
alguma coisa?
sim, o professor está sempre errado.

21 de fevereiro de 2011

a contra mão tem um sentido


qual pergunta você fará depois do abismo do silêncio?
as maiúsculas deram um tempo, já que a lagoa agora
tem um processo de asfaltamento. pedalo até o fim da quinta dos açorianos.
quero sentir um verde pulsar que pulsa em minhas veias.
pedalo meteoros que se minha máscara cair virão que há um e.t. em barra velha, um estilhaço corta o chavão de qualquer pingo no i.
sim,  a frente fria está chegando.
o asfalto vai sendo feito aos poucos.
agora os adevogados do fórum que é perto nossa casa
não precisam mandar lavar muitas vezes seus carros de
engomadinhos. o chiar do pedal me dá um barato que
mescla um  blues no meu coração, outro som, o de Andy Mckee faz minha
cabeça, dá som do tom zen que flutuo quando medito.
as moedas do tempo se refletem no meu rosto. sorrio
com o saci quando todos são linha reta.
subo ponte pencil para fotografar a natureza. tonhão
me diz que o bicho  tá pegando na boca da barra,
ao fecha-la os peixes morrem, as arvóres tem sido
cortadas onde pedalo, muito corte, muita madeira no chão.
enquando isso a bicicleta se delicia com um desfile
que gruda no piche.
meu voto é para os duendes que acenam sorrateiramente de forma irônica.
as salamandras enladeiam o cristal do poema.

18 de fevereiro de 2011

NO ALÉM O LATIDO É ÉTER


O silêncio toca lembrança que alma consagra vida.
A obra é contemplação que reflete essa flores.
O instante é vento que soluça um blues amiúde,
verso simples, som incorporado ao toque que
a mancha desenha um corpo que seria humano.
Aqui o presente é tela mental do seu tomar água.
Antes de dormir sempre te  dizia:
_Stubbe, dorme com Deus!
Agora amigo a terra refaz terra. E o olhar
imagina aquela corrida que fazíamos no sol
que morria aos poucos.

16 de fevereiro de 2011

Camisa 10

A tarde emblema cinza , chuva que cai flanando imagem, lembrança de criança num campo de futebol, bola no peito e chute no ângulo.

DIÁRIO DO PROFESSSOR



O pingo da chuva  deixou cerejas no nosso carro.
A pista deu borogodó no som David Bowie.
As aulas foram boas. Há alunos  arredios devem
ser poetas de suas Histórias, riem, do destino de
entrarem na escola para saberem estórias, namoros,
descobertas, provas, exercícios. Os do 6º Ano
(antiga 5ª série) recortam documentos históricos,
xerocam suas certidões de nascimento e as colam
no caderno.
Sim, aqueles mais bravinhos, custosos têm também
algo a dizer. Devem ser artistas talvez. A arte da
História é a vida.
Enquanto isso de folga essa chuva me abençoa. Vou
ajudar a minha mulher a picar o alho para o almoço,
fazer a salada e curtir Reiman Silent do Keb Mo, depois
mando Belchior pra ficar boa a tarde e ter inspiração
para preparar as aulas de amanhã.

TROVEJANTES



I

palma do céu
grito além silêncio
raio anúncio de explosão.

II

pacífico
ponto final
trovão exclama.

III

cinza céu amiúde
três versos
no haikai do barulho.

IV

ventilador calor
trovão anuncia:
água da vez.

V

silêncio zen
depois do trovão
desfalece razão.

15 de fevereiro de 2011

CORTE ALÉM DO VERMELHO.

Foto de Robson Corrêa de Araújo
desfolhar do grito arrepio o grão fio corta vida flâmulha cidades/vermelho articulado em movimento/toquem as emoções dilacerantes/propriedade privada do texto/trovejam balas nas vogais/tiroteio de consoantes diretrizes da família/catapulta da arte/y semiótico /o helicóptero voa brasília valparaíso minas santa catarina/não há culpa para o poeta já que sua risada ironiza  boteco da contradição/rodrigo de souza leão
me intercede junto a roberto piva/quando de manhã veja a chuva cair/cinza a pancada /corte samurai/espada afiada no sepultamento das palavras...

Fura a vida em instantes...

Foto de Robson Corrêa de Araújo 

Olho o olho olhar o mar 
O homem é mulher a mulher é homem
Luneta do céu faz brincadeiras de um saci que ondas
via léu destortam sem desentortar o cão que clica


OLHO OLHEM OLHAM 

O concreto virou deserto até que habitamos por aqui
raça de metalinguagem passa pelo túnel da vida
desabotando vivências que o sal traz além 

de todo mar



14 de fevereiro de 2011

APERTO DE MÃOS.


"A vida que tocamos ainda vai nos tocar na vida"
Robson Corrêa de Araújo

Girar a rosa da vida.
Um deslizar de sinceridade.
Na palma da flor: Gentileza gera gentileza.
A foto clicada no átimo  reluz clarão, alma
clarividência.
O rolar do pedal traduz o lago
que brinda o dia na contemplação.
Voo
o Serrado transcende a br infinita
na umidade do mar que Pessoa
alinha num verso de reconhecimento.
Sutil o olhar fabrica humanismo.
Há um templo na amizade
que reflete pingos de chuva
na eternidade do sol?

11 de fevereiro de 2011

ALCATEIA DE NUVENS

As formigas alinham o texto, soluço uma interjeição
no pedal interpoente.
Passo ponte pencil no arrepio que a tarde flana
cinza nas nuvens. Um dente de leão meteoriza a palma
da alma no ângulo do gol no céu azul.
A casa acolhe e frutifica.
Aceita um suco de limão adoçado com açúcar 
mascavo?
Acendo o incenso e voo Carlos Santana na lua
que cresce.
O uivo agradece.

10 de fevereiro de 2011

Uivo o Camaleão

8 de fevereiro de 2011

MISTUREBA ABSTRATA


I
Metafísica Rock and Roll
Cold Play comunga
Rock que alivia


II 

MISTUREBA ABSTRATA

Sigo signos surreais
Nave mãe
Ilumina noite que fabrica

III

Além do céu
Mar ensaia 
Trovão q acende

IV

Danço com duendes 
Passos
De Saci

V

Arqueio som
Solo de guitarra tom
Psicodelismo me absolve



7 de fevereiro de 2011

 Foto: Cássio Amaral

línguas linguetes links phósforo
faísca fagulha cogumelos delineados
saliva cuspe de dna de jardins elétricos
mudável mutável mutantes nós
ets em cima de ovnis guiados por devaneios
nos berços de poliedros Torquatálios do sonho
da explosão grafitante das nuvens sangradas
bocas bacantes palavras scarlates signos de
luas insanas sóis escritos fulminantes
estilhaços de Hendrix na amplidão do átimo no buraco negro
que um poema sorri num brilho stellar.

(Cássio Amaral em Sonnen, JAR Edições, 2008)

PONTO DE BALA

Meu sobrinho Mateus clicado por mim na casa de meus pais em Araxá-MG

Olho do infinito nos séculos que esporram nossa vida.
Clã das uvas que traduzem nosso nome: Amaral.
Nem haikai, nem soneto muito menos poema engole
esse sal de Portugal de onde viemos, misturamos com
espanhol , índios, brilho do inexplicável rimos do mar
turbulento. A chuva cai lá fora às 01: 17, não haverá
salvação depois dessa postagem. O urro é a paulada
que nossas almas são fogueadas num fogo de além continente.
Os cachorros azuis:
Nelson Nacati , João Batista Antenucci, Stubbe olham melhor
com flores silvestres no lado de lá da vida, o câncer q os pegou
não tira as notas musicais que essa chuva dona da madrugada canta.
O despropósito são reticências que o além dá na mão do tempo. 
Do outro lado da minha família a bisavó era curandeira , parteira 
e xamã, os elementais norteam o texto.
A vida engole qualquer poesia, depois que o romance amiúde peida
na poça d' água.
Prosa é nossa biografia escancarada no passar.

Stubbezeiros


 Para Stubbe nosso cão q é só espírito.
" O uísque é o cachorro engarrafado"
(Vinícius de Moraes)

I

Seu latido 
É saudade
Que a chuva traz.

II

Nuvens choram sua ausência
Seu rabo não balança
Aquele uivo é nossa irmandade.

III

Cova te recebeu
A música na chuva
Me lembra nossas corridas.

IV

Quieto
Stubbe dorme
Num templo de flores.

V

Meu Filósofo, meu poeta
Cão que late
Morde a vida. 



6 de fevereiro de 2011

Foto: Cássio Amaral.

desfacelo a fumaça do incenso

no neon de Robert Klimt

soprada no silêncio ikebana sanguetsu

pernas nas madrugadas meditantes

o poema grita begônias estilhaçadas

tua clareza clarividência plástica

teu pincel fruta cor femininus

o poema grita lírios rufantes

galopa galopa galopa

você acende cartas na mão esquerda

Mata Hari, mata sem pena

quando Basquiat sorri de um sol

que pinta na contra mão.

Cássio Amaral (em Sonnen,JAR Edições, 2008)


 

5 de fevereiro de 2011

STUBBE na Stubbezeira que passa e passaremos

Corpo carne crava
Alma alada além
Céu cinza chuva

Amor presença carinho
A canção é sua ração?
Vá lá meu amigo ver o ão.


para nosso cachorro Stubbe que enterramos hoje.

UIVAR SEM CORPO

IMPREVISTO O PÃO POEMA DISTORÇÃO JIMI HENDRIX UIVO DO ABSURDO
PEPE EM PETER FRAMPTON UMA CERVEJA ALEMÃ EM JOINVILLE NO ZEPA
A CHEPA DA BOCA DA CHUVA QUE CAI ]
CORRENTES QUEBRADAS VIDA PARADA STUBBE SOB AO CÉU DOS CACHORROS
O MAR BRINDA A TARDE COM SUSPIRO DE HOMERO
MORTE RÁPIDA PÁ E ENXADA PARA ENTERRO BURACO CAVADO
POR MAELES E EU. FLORES AO REDOR NATUREZA VIVA DEPOIS DA PONTE 
PENCIL O DISCURSO É LATIDO  A AMIZADE É SENTIDA O CORPO NÃO É
PRESENTE NOS LADRILHOS DA VIDA ÉTICA É CANINA
GOETHE ALINHARIA UNS TONS ALÉM DO ARCO-ÍRIS BRANCO

COLO DA FILOSOFIA É O UIVO DOS CÃES Q NA CONTRAMÃO
DESMISTIFICAM ACADEMIA E LORDOSE DE OPINIÃO
STUBBE SOB NO PÓDIO E LATI PREVISÕES DE RIMBAUD NA VEIA DE
ARTAUD
SUA GRAVATA ELE DEIXA NO TEMPO.

SOMOS CACHORROS AZUIS...

4 de fevereiro de 2011

ODE DO SACI

Saci pula numa perna só
Faz música com Soneto
Além da torre de Pizza
Tornero o capito q te amo

Elementais dizem rock and Roll
Captação de Captain Beef Heart
Sua his magic band desfaz jazz
Tocando tudo novo no ano

Duendes dão gargalhadas
Na geografia tudo é vida
Sim a História diz q valeu

Planejo aulas q fazem salamandras
Assim o neófito
Desfaz o nó do poema que perdeu.

Entrecosto posto corpo nágua...





Haikai para Maeles minha esposa

"Não creio em Santos e Poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu.
Melhor é dar razão a quem perdoa. 
Melhor é dar perdão a quem perdeu".
ZECA BALEIRO 


Água nossa cama
Além do gozo
Além da vida, além da morte

ENFIM VEMOS NUVENS

Amar faz sentido na estrada da sinceridade.
O trem é inexplicável, mas contorna 
o sudeste e o sul.

Ciclos da água são como fases da vida


Aquela amizade surgida faz tempo, desde criança, 
jogando bola na rua. Depois recebendo o amigo
em Brasília, quando morava no Guará  para prestar o  
vestibular na Unb. Os dois tomaram pau, claro
a prova foi feita depois de uma saída até às 3 da
madruga. Curtição em Taguatinha e ressaca pra
correr e os portões não estarem fechados. 
Perder a prova é cruel. 
O tempo passa, agente casa, reve o amigo com
a namorada, ele convida para cairmos na água.
Gentileza é clarear o sorriso num clique das bolhas
que vão no seu percurso.

Pra Cachu...

Os passos delineiam a sombra 
do tempo que faz da vida um sopro,
encontro além do  acaso.
O ocaso não é intransitivo 
quando a amizade nos convida. 
O mato parece que tem um som de índio.
Meus antepassados eram xamãs, 
a bisavô curandeira e parteira.
Os caminhos se  cruzam sempre na hora H.
O saci sempre dá uma risada depois da curva, quando a prosa fica de pilhéria. 
O sol abre, o vento toca devagar o inexplicável.
A água da cachoeira é fria e
suas bolhas são um quadro que
pintei apenas na saudade.

Raiz

Um pingo mais um pingo só um pingo.
Dá uma volta e descarrilha.
A prosa se diverte com o ikebana natural. 
A caminhada se faz além do olhar, uma palavra
Não faz sentido na contemplação.
Sim amigos o mineiro é água, não a do mar, mas
aquela que as montanhas dizem Uai.

3 de fevereiro de 2011

OIÔ ÓIÔ OIÔ...

ponho
poema
semlema
sem eira
beira

ponho
eta
alhures
de rima

a vida
desfaz
verso


Estrada diária para a canção

todo dia
poesia
faz fuligem
cano de descarga
alagamento
engarrafa o torno

todo dia
poesia
brinca de piche
asfalto
que passamos
desengarrafa o contorno


poesia
todo dia
atravessa
o peito
do dente de leão
na contramão

2 de fevereiro de 2011

1

Trovão saúda a tarde
Raios são achados
No entardecer

2

Cinza brinda raios
Na chuva que profetiza
Frescor

3

O céu profetiza chuva
Tarde de domingo
É amizade.

4

Além dos olhos
O silêncio
É um trovão

5

Chuva que chega
Trovão abre a boca
Do silêncio

6

Chuva de repente
A tarde brinda
Tranquilidade

7

Depois da chuva
O silêncio explode
Na poça d'água

8

Sem por quê
A chuva
Diz o quê?

9

Poça d'água
Abre ciclos
Na tarde líquida

10

Pingos de chuva
Saudade que fica
Na poça d'água

11

Tranquilidade  tarde
Depois da chuva
O silêncio impera

12

Depois de doze minutos
A chuva
Vira haikai

30/01/2011
De férias em Araxá-MG, vendo a chuva cair.

1 de fevereiro de 2011

Além do voo que vou

Dois voos
Dois medos
Ida e volta
Frente
Verso
Ulisses
Regresso
Ítaca
Nossa família
Mar
Mar
Mar
Turbulência
Avião
Rasgo do dia
Entranha da tarde
Família
Amigos
Dois segundos
Duas vidas
Branco
Escuro
Síntese
Silêncio
Momento
Pat Matheny
Madrugada a fora.