30 de setembro de 2009


Araújo, Robson Corrêa de
BR infinita /Robson Corrêa de Araújo.- São Paulo : Iluminuras, 2008.
ISBN 978-85-7321-291-4
(Este livro segue as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa)

BR INFINITA


"... significando assim pimentinhas para salvador dali e gala arderem
de amor e paixão parati também oswald e pagu com malagueta
bebo passarinho fumo bode confeito o espaço cultural omo
limpo faz o h da cidade mudar de cor todos os dias gastando
baldes de tinta para a ribalta diadorim e riobalto são encenados
em rosa pink o a é tripé onde o terceiro pé está escondido na
sombra da perna esquerda instalo minha câmera em cima deste a
dos pescoços dos adolescentes em frente ao pátio brasil o prato
cheio tem de feijoada completa a caviar tudo servido no chão de
mármore branco chuva de letrinhas pela cidade de gorki confundido
com gótico e o retrato de gogol acorda o diretor de madrugada
com olhos esbugalhados usado qual o gume da espada de
maquiavel você usa destruir as espadas dos samurais
qual senhor você usa servir você usa ternos bem cortados e já
perdeu toda ternura reta ação julião trabalha melhor que vocês e
olha que ele não tem gratificação ou função mas trouxe café neste
fim de semana aos postos desta coordenação com a mesma calma
de 23 anos atrás a passada lenta e cadenciada imperturbável e
ciente da sua utilidade deizem que ele é louco é assim nesta
sociedade hipócrita todos que não falem as mesmas coisas que a
maioria da manada são considerados loucos em troca de abrigo
ele oferece bom papo água e café e tenho a certeza que s existisse
psicologia administrativa nesta casa ele poderia oferecer muito
mais sem salário sem documento sem reuniões sem protocolos
idiotas serventes enganam o tempo com conversas repetidas
brincadeiras maliciosas olhares invejosos desejosos de objetos
ricos de mais dinheiro um futuro melhor a televisão é o referencial
maior onde o bolo aparece completo um pacote de ilusões de
café pegar o ônibus e trabalhar mecanicamente tudo isto para
manter um pequeno espaço com bugingangas e dívidas prestações
e etc os filhos não vão ter nada de muito diferente talvez sejam
bandidos delinqüentes e experimentam drogas com um pouco mais
de emoção avião suspenso ou uma morte precoce giant mr- 04 aos
economistas de todos os governos mick jagger aos filósofos de gandhi..."
DO LIVRO BR INFINITA DE ROBSON CORRÊA DE ARAÚJO
EDITORA ILUMINURAS
2008
O blog do Robson está linkado aí ao lado.

29 de setembro de 2009

Esta é a bandeira que o Japão não vê

Desenho de Robson Corrêa de Araújo

Presta atenção na aula, meu!


Desenho de Robson Corrêa de Araújo

AQUI, ENTRE NÓS: A MADEIRA.

O poeta não é um pássaro,
ele não está no mundo da lua,
não existe pedra no seu caminho.
O poeta não é um cão,
ele não é sensível,
não tem inspiração.
O poeta não é amigo do rei,
ele passará, como todos,
nunca serei.
O poeta não é gago,
ele não lambe a língua,
nem brinca com o verbo.
O poeta nunca uivou,
não escreveu na areia,
apenas serpenteou.
O poeta nunca ouviu estrelas,
ele não tem um mundo aparte,
nem nasceu das costelas.
O poeta não repete,
não economiza palavras,
ele já tomou sua Grapette.
O poeta não é de nenhuma
geração,
nunca tocou alaúde,
nem toca violão.
O poeta não sabe recitar,
não fala de improviso,
ele não sabe reclamar.
O poeta não versa livre,
não conhece o método,
confunde finta com drible.
O poeta não sabe acentuação,
nunca decorou a gramática,
não tem espaço para pontuação.
O poeta nunca foi brasileiro como
vocês,
prefere a Renault,
ele estragou suas dentições com
doces.
O poeta não possui estatutos do homem,
a rua dele não é diferente,
ele morre como qualquer homem.
O poeta não tem ideias brilhantes,
tão pouco é esquisito,
o seu caminho não é feito de
diamantes.
O poeta não é um fingidor,
conhece a excentricidade da
hipérbole,
e quando sangra, já gritou sua dor.
O poeta não é Poeta,
ele faz quando desfaz,
não sabe costurar, mas arremata.

Robson Corrêa de Araújo.

O blog do Robson tá linkado aí do lado, ou no:

http://punctumstudium.blogspot.com/

28 de setembro de 2009

THE KINGS'JAM

a tarde queima guitarras
no fogo eterno
de Jimi Hendrix e B. B King

FOGO DO CÉU

NENHUM HAIKAI
TIRA O CALOR
DO SOL
suor no rosto
dizendo orações adversativas
na tarde tudo só arde
calor, calor
num momento do sol
a vida sobre-Vive
tarde que arde
o calor pede
chuva que chega

27 de setembro de 2009

RUA DAS ROSEDAS,185

Para Maeles Carla Geisler

O incenso fagulha vida no encontro
lírios disparam delírios em corações jovens
Motivo de vida sintetizando
neblina no carinho da cama
Música que traduz sentimento na chegada
Sol maior num dueto de dois estados
Um trem além dos trilhos
Fotografado longe dos espinhos
Rosas que incendeiam na
rua paixão fulminante
em corações sangrentos.

Cássio Amaral
25/09/2009.

25 de setembro de 2009

CELEBRAÇÃO

Envelheço num blues
brincando de menino
além dos solos de gaitas da vida
Hoje completo 36 anos.

Parafraseando o grupo IRA:

"Feliz aniversário envelheço na cidade"

24 de setembro de 2009

NEBLINAIS

chuva fina
engravida o dia
na neblina


neblina que cai
no átimo
silêncio ampliado na árvore da vida

18 de setembro de 2009

Telas e fotos do amigo Kedo aí abaixo

O amigo Kedo
O blog do Kedo está linkado aí ao lado

Tela de Kedo (Tancredo Borges Guiamarães)

Tela de Kedo (Tancredo Borges Guimarães)

Tela de Kedo (Tancredo Borges Guimarães)
Tela de Kedo (Tancredo Borges Guimarães)
O blog dele está linkado aí ao lado.

Foto de Kedo
primavera que chega
no milagre vida
quando envelheço
Cássio Amaral.
18/09/2009.

Foto de Kedo
jardim nos olhos
faísca de vida
portal da alegria
Cássio Amaral.
18/09/2009.



Foto de Kedo
ikebana natural
setembro entra
e levanta meu astral
Cássio Amaral.
18/09/2009.

17 de setembro de 2009

DÁDIVA
Para Maeles Carla Geisler

olhar infinito
verde magia
milagre vida

I
limpo verde
Duende ri
atiço magia

II

muitas vozes
não dizem
o melhor do silêncio

III
círculos na água
pedidos feitos
na telepatia do encontro

CACHOEIRA

vida refletida
no cristal
do milagre

15 de setembro de 2009

155- O QUE NOS FALTA
“Gostamos da grande natureza e descobrimos:
Isso deriva do fato de os grandes homens faltarem em nossa cabeça . Era contrário
entre os gregos: seu sentimento da natureza era diferente do nosso ”
NIETZSCHE

PHOTO

Para Isaias de Faria

risco de um clique
além do olhar
poema escrito com luz

BAR DO BARDO

Para Henrique Pimenta

um poeta
sem bar
é um poeta sem lar



14 de setembro de 2009

PHILO SOPHICAMENTE FALANDO ....


Para Robson Corrêa de Araújo


Plu
GADO
conec
TADO
am
PARADO?------------------------------TOMÁS DE AQUINO, DANTE, DUNS SCOTT, OCKHAM, PLATÃO, SARTRE, FOUCAULT, NIETZSCHE, DESCARTES, MICHIMA, BASHÔ, Issa, LAO TSÉ, SUN TZU, DESCARTES, EZÉCHIEL SAAD........................................................................................................................................................................................................................................

Risco o imprevisto de uma BR INFINITA

numa gambiarra de uma alvenaria de Brasília

corte bem dado

de um samurai

GRIPE

Coriza
No link
De Arnaldo Antunes
Meu pulso ainda pulsa
Quem sabe um soneto de febre?
Quem sabe um poema de dor?
Quem sabe um hai-kai de alergia?
Quem sabe sinusite?
Quem sabe renite?
Quem sabe a chuva que tomei em Sampa?
Quem sabe a poeira?
Quem sabe a secura do tempo?
Quem sabe o frio e o vento?
Quem sabe o calor?
O meu pulso ainda pulsa
Gripe Espanhola?
Gripe Aviária?
Gripe Suína?
Gripe Canina?
E a baixa resistência dança em mim
Numa transcendência
De uma purificação.

12 de setembro de 2009

PARA QUEM ESTIVER NO RIO AMANHÃ


O amigo Flávio Otávio Ferreira lança
seu livro Itinerário Fragmentado
amanhã na Bienal do Rio.
Sobre a obra e poesia dele vocês podem
conferir no blog dele linkado aí ao lado,
ou no:

http://flaviooffer.blogspot.com/

11 de setembro de 2009

AUTO RETRATO

(Minha bike, foto do meu celular no Barreiro de Araxá-MG)


Além de toda prosa
Sou apenas um origami
Refletido num ikebana sanguetsu
Um risco no traço da poeira cósmica
Uma nuvem num brinde de Bashô
O voyer de Baudelaire nas madrugadas abissais
A loucura canina de Leminski
O Repertório Selvagem de Olga Savary
Sim! Todos os Cachorros são azuis!
Sim! Toda LOWCURA* é santa!
Meu pedal são sóis refletidos na leveza
dos algodões que Sartre traduz na minha existência

*LOWCURA referência ao blog do amigo Rodrigo de Souza Leão


Cássio Amaral.
11/09/2009.


(Barreiro de Araxá-MG, foto do meu celular )

(Barreiro de Araxá-MG - Foto do meu celular )

9 de setembro de 2009


Tela de Arthur Dicrayon
aturdido no meio do caos
risco um fósforo no asfalto
e encontro um poema anômalo.
Cássio Amaral.
Do meu livro Sonnen.
O site de Arthur Dicrayon está linkado aí ao lado.

Tela de Arthur Dicrayon
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ
LEMBRA-TE QUE ÉS
POESIA
Cássio Amaral.
O site do Arthur Dicrayon está linkado aí ao lado.
Tela de Arthur Dicrayon
LIBRA
Além do ar
Eremita número 9
Para levitar
Cássio Amaral.
09/09/2009.
O link do site do Arthur Dicrayon está
aí ao lado.

8 de setembro de 2009


Tela de Arthur Dicrayon
I
chuva de improviso
no labirinto da vida
pessoas procuram a saída


II

rain rain rain
I like it
the birds give us music
Cássio Amaral.

O site do Arthur Dicrayon está linkado aí ao lado,
ou no:

Resenha sobre Todos os cachorros são azuis


José Aloise Bahia escreveu uma resenha no Cronópios sobre o livro
Todos os cachorros são azuis de Rodrigo de Souza Leão.
Vocês podem conferir lá:

7 de setembro de 2009

Solo Sagrado da Igreja Messiânica Mundial 06/09/2009.












Deusa Kannon pintada por Meishu-Sama

Deusa Kannon pintada por Meishu-Sama
Deusa Kannon pintada por Meishu-Sama


Deusa Kannon pintada por Meishu-Sama

6 de setembro de 2009






5 de setembro de 2009

ÉTICA

Foto de Isaias de Faria
A Ética
é bem mais
que estética
Cássio Amaral.
05/09/2009.

OLHAR

Foto de Isaias de Faria
faísca de Vênus
dizendo alma
na chegada do amor.
Cássio Amaral
05/09/2009.

4 de setembro de 2009

PULO


Foto de Isaias de Faria
metonímias disputam
com catacreses
a perfeição do improviso
Cássio Amaral.
04/09/2009.

3 de setembro de 2009

Uivos Setembrinos


I

Palavras aleatórias
Riscam o chão do verbo
Nas aliterações derramadas

II

A balança dirige
Meu estado de espírito
Faiscado no equilíbrio

III

Neil Young me benze
No setembro que chega
Lótus me sorri num verso

IV

Rock can never die
Meu caminho é gaita
No uivo da lua

V

Uivo lua cheia
Na gaita crispada
da música de Neil Young e Crazy Horse

VI

Lua nua pluma
Verbo oro faísco
Arrebento cabaço gozo.

A VA LI AÇÃO

_Que saco!
_Droga!
_A prova tá grande e difícil
_Nossa, apelou!
_É você caprichou heim?
_Sim tá difícil!
_O gráfico das Transnacionais no período de 1990 a 1998
não entendo!
_A segunda questão tem três perguntas?
_O que é contexto para o aspecto social
do governo Lula?
_Paridade? O que é isso?
_Alienação explica o que é!

2 de setembro de 2009

Tela de Rosana Pêgas

DIGÃO


Para Rodrigo de Souza Leão
faísca phosforo fagulha
risco do átimo
brinde da amplidão
Cássio Amaral.


1 de setembro de 2009

DISPARO


Para IOSIF LANDAU

A vida engole o tempo
O risco faz jazz no improviso
Sim, há putas em Copa
Olhando o céu desfacelado na agulha
do esmero do riso enclausurado
Sim, a sexo nos seus contos
Há Mr Buk (Charles Bukowski)
Um drink , um cigarro , um trem que
é poesia nas folhas da tarde
É amigo, aquele abraço fica para outro
encontro
Sim, "a vida é demais para os poetas"
Leminski tinha razão quando disse isso
É urro, é grito é uivo de toda sua prosa
Não há chão que tape o buraco
Há estrelas no céu sintetizando o crime
Há o berro nas aliterações
Enquanto na madruga penso em entrar no seu blog
Para reler a tua alma de sol
Pra sacar a tua faísca mais além
Diz pra Digão (Rodrigo de Souza Leão)
Que sinto saudade docês
E que na próxima contemplamos
as bundas do posto nove
de Ipanema juntos.

IOSIF LANDAU




Delmore Schwartz, poeta e contista americano, foi professor de Lou Reed — o roqueiro repórter literário do submundo — na Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos. Uma vez, ao fim de uma aula, Delmore disse a Lou: "Você sabe escrever. E se algum dia você vender bem, e se houver um paraíso aonde possa ser assombrado, eu vou te assombrar". Quando Delmore morreu, em 1966, o jovem Lou esteve presente ao funeral do poeta.Muitos anos depois, Lou Reed escreveu uma música em que conta que, ao mudar com a mulher para uma nova casa, se depara com um tabuleiro em que letras formaram ao acaso o nome D-E-L-M-O-R-E. Ao invés de se assustar com a presença do fantasma, Lou se inspira por ela. Eu não pude ir à cremação de Iosif Landau, estava viajando a trabalho. Iosif nasceu na Romênia em 1924, chegou ao Rio em 1940 e se naturalizou brasileiro em 1946. Formou-se em engenharia em 1949 e viajou muito pelo Brasil no exercício da profissão. Depois de aposentado, em 1993, Iosif começou a escrever. Escreveu poemas e três romances policiais, Comissário Alfredo, Os Anjos Também Morrem e O Diabo Vestia Seda. O comissário Alfredo, personagem alter-ego de Iosif, é um típico policial hard boiled à moda dos detetives durões da literatura noir americana clássica, na linhagem de Hammet e Chandler, com toques da literatura beat, outra de suas influências marcantes. Livros gostosos de ler, na escrita viril e durona de Iosif. Conquanto o comissário Alfredo seja meio casca-grossa, sem papas na língua, Iosif era um cavalheiro. Sempre o encontrava no clube que frequento aqui em Ipanema. Minha simpatia por ele foi imediata, Iosif usava cabelo comprido, tatuagens pelo corpo, e tinha um ar transgressor que me lembrava um poeta beat. Algum companheiro desgarrado de Jack Kerouac que terminou de sunga, tomando sol numa piscina em Ipanema.Iosif trazia no rosto a tristeza silenciosa dos poetas. Nossas conversas nunca eram muito longas, mas havia entre nós um entendimento sólido que talvez só as palavras de um poeta possam explicar. "Mais nada para ser dito e mais nada para ser chorado, só os seres no Sonho agarrados ao desaparecerem", diz Allen Ginsberg num de seus poemas. Éramos companheiros, à nossa maneira. Quando voltei de viagem, e fui informado de que meu escritório estava com um vazamento d'água no teto, fiquei preocupado. Meus livros, pensei. Corri ao escritório. A água vazada no teto adquirira a forma de letras esparsas. Uma palavra? Um nome: I-O-S-I-F. Como Lou Reed, em vez de me assustar com a presença do fantasma, me inspirei por ela.
Livro…… O Comissário Alfredo, de Iosif Landau.
CD……Blue Mask, de Lou Reed, em que se pode ouvir a faixa My House,em homenagem a Delmore Schwartz.



Por Tony Bellotto