Foto: Kátia Torres Negrisoli
Buda viu a flor no chão e a colocou na água.
Esse ato foi de vivificação da flor, da vida, assim nasceu
o Ikebana que foi levado com o Budismo para o Japão e ali
se transformou em Arte. Uma arte de luz que é um caminho
de busca espiritual. Os samurais antes das batalhas faziam um
ikebana, no período antigo do Japão só os homens podiam
A FLOR DENTRO DA ÁRVORE de Bárbara Lia é um ikebana
que se tece e se vivifica com palavras. A palavra é a flor que se fixa
A vida da poesia é esse escolher dos arranjos, galhos e flores que se usa
numa composição de Ikebana.
É isso que a poeta Bárbara Lia faz no sentido mais amplo da palavra.
O haikai do livro é preciso e conciso como em "Dame el ocaso en una copa!"
Velhas estradas bifurcadas/lentas aparições de fantoches/Nas alamedas
É esse Nada que dá sentido a poesia que se explica na escolha dos imagens
que Lia utiliza na sua OFICINA DE SONHOS.
Essa oficina exprime poemas bem elaborados e bem construídos onde há
uma essência muito grande de vida, produzida em versos. É o sentimento
da Poeta que se aflora dentro do lugar-vida em que se insere. Esse contexto
é a matéria-prima deste livro onde os poemas tocam o Sutil como flor dentro
Lia sabe muito bem o que diz e a que veio, sua poesia é profunda, de leituras
e experiências de quem sabe compor a obra que a arte é. É claro minha cara
Poeta é esse "Toquei seu berço silencioso" onde seu pai a plantou em Minas
sem Mar. É José e os agoras, é Adélia Prado, é Drummond, é Milton Nascimento
cantando Caçador de Mim, são os orgasmos de Dona Beja de minha terra
Araxá, É Guimarães Rosa, é a pedra no meio do caminho para quebra-la e
desmaterializa-la. É a poesia , sua poesia que bate e inquieta o leitor que tem
seu belo livro feito por uma artista de luz, que entende o valor de um livro-objeto
Sua sombra é uma memória plantada na esquina da palavra Emoção que é
pura Poesia. Por isso é válido e uma satisfação ler e conhecer este livro
de Bárbara Lia que pode ser adquirido no seu blog:
http://chaparaasborboletas.blogspot.com.br/
A fortuna crítica do livro é de Sidnei Schneider.
Capa: Foto do quarto de Emily Dickison - Homestead.
Livro artesanal feito pela autora Bárbara Lia.