12 de junho de 2016




Congado

Domingo friozinho de leve,
Parados na porta da Igreja São Pedro.
O sol nas costas,
Batuque para aquecer.
O sentimento dos antepassados na emoção.

Domingo encontro com Deus.
Reco-reco, cuíca, cavaquinho, tarol, tamboril, sanfona ou acordeom.

É tudo aclamação,
A coroação do rei do Congo,
Na Congada, pura devoção.

Nossa Senhora do Rosário
Aumente o nosso honorário,
Nos livre dessa escravidão,
E nos dê sua proteção.

9 de junho de 2016



todas as pessoas
fazem do poema
apenas uma pessoa

PEDRADA NO DRUMMOND



quebrar a pedra
do poema
sem problema

8 de junho de 2016



LIBERTAS QUAE SERA POIESIS

4 de junho de 2016



IMAGEM

Para Kedo (Tancredo Borges Guimarães)

disfarce de poeta
infinito signo
significado de tudo



Tela de Kedo (Tancredo Borges Guimarães)

2 de junho de 2016

LIQUIDEZ


céu lacrimeja a tarde
chove de novo
sorte amplia mansidão



22 de maio de 2016

DEGRADAÇÕES DA LUA CHEIA

Paulada da vida
Grilo falante disjunto

Risada da morte
Borboleta silenciosa Unida

Azul como o céu que rasga o infinito
Azul como o véu que mastiga ritmo
Pautado na forma iconoclasta  do ser

A lua engole a esquina
Numa figura de um cachorro que sopra
o inesperado da vida 




Tela de Rodrigo de Souza Leão. 

20 de fevereiro de 2016

À  PASSAGEM

O sapato velho não me serve mais. Ele agora calça pés imundos ou limpos, tanto faz.
Pouco sabe ele que sou vislumbre do clarão do sol, é a luz dele que alimenta minha alma.
Não passo de mão em mão, o repasse é condição de aprimoramento que a cegueira permite no momento.
O amor cristaliza-se no desapego, condição primeira de liberdade. A água jorra limpa sozinha, pois há risadas no infinito tocando um bandolim que anuncia sua chegada, justiça virá no tempo certo. Xangô me sinaliza com uma flecha na mão dando-me calma e entendimento, quem vê as coisas só materialmente, se joga pra quebrar a cara várias vezes com o coração despropositado, sem saber entender o outro, seu estado de espírito, não adianta dizer sim, se a mentira faz parte da verdade.
Procuro algo que me cure. O céu é maior, a infinita luz ultrapassa meu peito e vinda do altar expande. Miroku abre a porta  dos  céus e o clarão bate no físico. Há sempre purificação para subir a escada, levanto a mão no ato sagrado e imagino o Solo Sagrado. Meishu-Sama me abraça por inteiro. É nele que me pego  e entrego de corpo e alma canalizando a luz ao próximo. O sorriso é a entrega que a boa sorte chegará no segredo da Felicidade.
Enquanto a gratidão chega pela janela do infinito minha imagem se faz na prática da luz divina, entendendo os desígnios de Deus.
O olho reluz sol além dos sentidos e agradeço a purificação para crescer.
A escolha é uma via que cada um sabe onde vai dar.
Subir a escada é opção de cada um.

Cássio Amaral.
20/02/2016





17 de janeiro de 2016

APONTAR O FUTURO


Foto: Robson Corrêa de Araújo

Apontar o futuro para o cerrado
Galhos retorcidos mostram oportunidade
Mediar o irremediável
Já que  agora é o futuro.

Apontar a paz depois da guerra
Há uma criança na História
Um lívido e claro brilho
De nossas vidas fruto do Amor.

Apontar para a mansidão
Baixar a guarda
Reconhecer e agradecer
Tudo que você fez por mim.

06/01/2016





TRAJETÓRIA


Foto: Robson Corrêa de Araújo.



Agora a Br Infinita sai do Litoral para o Cerrado?
Reflexo do passado resbala no hoje?
A via é só ir mas tem volta?
Deleuze e Guattari me fazem a cabeça para entender a Esquizofrenia?
A poesia é minha Esquizofrenia?
Deixei de ser poeta para ser paranoico?
O Anti-Édipo é um pedal para Robson Corrêa de Araújo?
Ninguém paga as contas do Amor Pagão?
Saudade da minha filha é além da Emoção?
O Futuro é agora sem nhem nhem e ponto final?

16 de janeiro de 2016

HOKKUSAMA CHUVINHADOS

 1
a chuva
amortece
a correria do dia

2
cintila
a brisa
na chuva fina

3
Bashô passa
a chuva
fica de pirraça

4
quatrocentos milhões de pingos
quatro significados:
átimo, leveza, harmonia e tranquilidade

5
chove de novo
tempo sorri
imensidão para lá na esquina

15 de janeiro de 2016


Tela de Rosana Pêgas

Corpo balança a balança do corpo

Balança
Dentro do corpo
Corpo dentro do corpo
Destino tropo
Tropeço.

Balança sem pensar muito.

A hora não espera
A tara é certa
Libera a fera.

Balança corpo a corpo seu destino
Arremesso.


07/01/2016.


11 de dezembro de 2015

VIDA PEDE VIVA
SAUDADE DA VIDA


Corpo sentido caminha na praia
As gaivotas cintilam poiesis
A luz cristaliza manhã
Reflexo solar ameniza desalento.

Corpo fotografa a maré
Onda vão e vem
Pessoas passam, alguns cumprimentam
outros não.

Corpo caminha na praia sentindo.
Onda alta pega em cheio o peito
Coração na boca sal maresia
Pulsa uma saudade que a
vida pede vida.


9 de dezembro de 2015

Oco, Ostracismo, outro dia
Passo, passante, passageiro
Sol, Solitude, Solilóquio
A verdade vê outra idade
Fala, falante, falácias
Soma, Somatiza, Soma
Alighieri me acena
Que me bate me surrupia, me destrói.

Dispenso tua loucura
Que me adoeceu,
Me enlouqueceu,
Sua Máquina Disjunta
Que me manipulou durante anos.

Seu umbigo é grandeza
de uma rainha que te incorporou e deixou
oco o meu ser.

7 de dezembro de 2015

CORPO SAL ÁGUA VIVA

Corpo delgado
Simplifica sol
Mishima Aço e Flor
Rima Japão
Com iluminação
Curvas convergem clima.

Corpo sintaxe
Poema que balança corpo

Água viva na viva água
Corpo metamorfose
Convergem curvas sintonia.

Corpo metáfora
Não há mais imagens
Tiramos nossas máscaras
Vê-se agora o espanto.

Líquida despeja sal
Yemanjá benze o mar.


5 de dezembro de 2015


SAMURAI DO ESPANTO
Para Paulo Leminski
Turbilhão da loucura
Da estrela guia
Artista da dissolução
Profeta da Vanguarda
Transgressão
Emoção
Paixão
(Cássio Amaral)


Haikai pra Leminski

Sr Bananeira na tropical melodia
Na passagem da vida
Samurai da poesia.

(Cássio Amaral.)
Em 2004 fui ao Perhappiness dedicado
ao Leminski em Curitiba.
Na mesa de debate sobre transgressão
Joca Wolf, Joca Reiners Terron e Lourenço Mutarelli,
uma masturbação única sobre transgressão.
Saí fui no Largo da Ordem, entrei num bar e
pedi uma cerveja. Levantei meu copo e brindei o
Leminski.

4 de dezembro de 2015

Pegadas na areia.
Corro léxico ensejo água na água.
Noite vento me acena liberdade.
Corro minhas pegadas na areia pés para correr contexto ampulheta
do tempo.
Esse tempo grita e sussurra o clarão do alto.
A maresia me reverencia com a chuva que cai nas minhas costas dando
uma massagem na minha paranoia que comeu meu coração.
Pegadas na areia minhas pegadas na areia noite a dentro passo passageiro
passante observo um casal de jovens levanta a taça de vinha, um brinde
e um beijo. Apolo aponta a forma do poema, enquanto Dionísio explode de
dentro do verbo.
O mar engole nossa impaciência, vento sentido que acalma a alma vulcânica
do meu ser.

3 de dezembro de 2015

É quando a chuva cai para desfazer o pó.
Eu pó, nó do tempo carregado de imagens.
Um grito apenas um grito que me faça ouvir a harpa da direção.
As pegada na praia, os vestígios do cinza carregado de uma neblina
soprada na saudade.
O tempo , esse tempo, transfigurado, uma batalha sem sentido.
Ulisses está no barco sem rumo, barco sem sua esposa, sem sua filha.
Ulisses navega a deriva num poema que desfaz a condição atual.
É que o soneto do seu corpo perturba o encontro, sua voz rouca me destabiliza.
É que o seu futuro já dilacera o teatro que escreve na água viva no tempo que esvai...
É quando a chuva cai para o pó desfazer-se em poesia.
É que o amor não espera hora marcada, ou tempo administrado por perfeição.
É que a vida pede atenção, um sol maior para o sorriso se fazer inominável.

30 de novembro de 2015

PARA JORGE MAUTNER


A ferida aberta
A verdade nua e crua
O Kaos abraçando o mundo. 

29 de novembro de 2015

LEMINSKI BASHÔ EM MIM NA NOITE DE ONTEM
tarde
agora muito tarde
nada mais que alarde.