22 de maio de 2016

DEGRADAÇÕES DA LUA CHEIA

Paulada da vida
Grilo falante disjunto

Risada da morte
Borboleta silenciosa Unida

Azul como o céu que rasga o infinito
Azul como o véu que mastiga ritmo
Pautado na forma iconoclasta  do ser

A lua engole a esquina
Numa figura de um cachorro que sopra
o inesperado da vida 




Tela de Rodrigo de Souza Leão. 

20 de fevereiro de 2016

À  PASSAGEM

O sapato velho não me serve mais. Ele agora calça pés imundos ou limpos, tanto faz.
Pouco sabe ele que sou vislumbre do clarão do sol, é a luz dele que alimenta minha alma.
Não passo de mão em mão, o repasse é condição de aprimoramento que a cegueira permite no momento.
O amor cristaliza-se no desapego, condição primeira de liberdade. A água jorra limpa sozinha, pois há risadas no infinito tocando um bandolim que anuncia sua chegada, justiça virá no tempo certo. Xangô me sinaliza com uma flecha na mão dando-me calma e entendimento, quem vê as coisas só materialmente, se joga pra quebrar a cara várias vezes com o coração despropositado, sem saber entender o outro, seu estado de espírito, não adianta dizer sim, se a mentira faz parte da verdade.
Procuro algo que me cure. O céu é maior, a infinita luz ultrapassa meu peito e vinda do altar expande. Miroku abre a porta  dos  céus e o clarão bate no físico. Há sempre purificação para subir a escada, levanto a mão no ato sagrado e imagino o Solo Sagrado. Meishu-Sama me abraça por inteiro. É nele que me pego  e entrego de corpo e alma canalizando a luz ao próximo. O sorriso é a entrega que a boa sorte chegará no segredo da Felicidade.
Enquanto a gratidão chega pela janela do infinito minha imagem se faz na prática da luz divina, entendendo os desígnios de Deus.
O olho reluz sol além dos sentidos e agradeço a purificação para crescer.
A escolha é uma via que cada um sabe onde vai dar.
Subir a escada é opção de cada um.

Cássio Amaral.
20/02/2016





17 de janeiro de 2016

APONTAR O FUTURO


Foto: Robson Corrêa de Araújo

Apontar o futuro para o cerrado
Galhos retorcidos mostram oportunidade
Mediar o irremediável
Já que  agora é o futuro.

Apontar a paz depois da guerra
Há uma criança na História
Um lívido e claro brilho
De nossas vidas fruto do Amor.

Apontar para a mansidão
Baixar a guarda
Reconhecer e agradecer
Tudo que você fez por mim.

06/01/2016





TRAJETÓRIA


Foto: Robson Corrêa de Araújo.



Agora a Br Infinita sai do Litoral para o Cerrado?
Reflexo do passado resbala no hoje?
A via é só ir mas tem volta?
Deleuze e Guattari me fazem a cabeça para entender a Esquizofrenia?
A poesia é minha Esquizofrenia?
Deixei de ser poeta para ser paranoico?
O Anti-Édipo é um pedal para Robson Corrêa de Araújo?
Ninguém paga as contas do Amor Pagão?
Saudade da minha filha é além da Emoção?
O Futuro é agora sem nhem nhem e ponto final?

16 de janeiro de 2016

HOKKUSAMA CHUVINHADOS

 1
a chuva
amortece
a correria do dia

2
cintila
a brisa
na chuva fina

3
Bashô passa
a chuva
fica de pirraça

4
quatrocentos milhões de pingos
quatro significados:
átimo, leveza, harmonia e tranquilidade

5
chove de novo
tempo sorri
imensidão para lá na esquina

15 de janeiro de 2016


Tela de Rosana Pêgas

Corpo balança a balança do corpo

Balança
Dentro do corpo
Corpo dentro do corpo
Destino tropo
Tropeço.

Balança sem pensar muito.

A hora não espera
A tara é certa
Libera a fera.

Balança corpo a corpo seu destino
Arremesso.


07/01/2016.


11 de dezembro de 2015

VIDA PEDE VIVA
SAUDADE DA VIDA


Corpo sentido caminha na praia
As gaivotas cintilam poiesis
A luz cristaliza manhã
Reflexo solar ameniza desalento.

Corpo fotografa a maré
Onda vão e vem
Pessoas passam, alguns cumprimentam
outros não.

Corpo caminha na praia sentindo.
Onda alta pega em cheio o peito
Coração na boca sal maresia
Pulsa uma saudade que a
vida pede vida.


9 de dezembro de 2015

Oco, Ostracismo, outro dia
Passo, passante, passageiro
Sol, Solitude, Solilóquio
A verdade vê outra idade
Fala, falante, falácias
Soma, Somatiza, Soma
Alighieri me acena
Que me bate me surrupia, me destrói.

Dispenso tua loucura
Que me adoeceu,
Me enlouqueceu,
Sua Máquina Disjunta
Que me manipulou durante anos.

Seu umbigo é grandeza
de uma rainha que te incorporou e deixou
oco o meu ser.

7 de dezembro de 2015

CORPO SAL ÁGUA VIVA

Corpo delgado
Simplifica sol
Mishima Aço e Flor
Rima Japão
Com iluminação
Curvas convergem clima.

Corpo sintaxe
Poema que balança corpo

Água viva na viva água
Corpo metamorfose
Convergem curvas sintonia.

Corpo metáfora
Não há mais imagens
Tiramos nossas máscaras
Vê-se agora o espanto.

Líquida despeja sal
Yemanjá benze o mar.


5 de dezembro de 2015


SAMURAI DO ESPANTO
Para Paulo Leminski
Turbilhão da loucura
Da estrela guia
Artista da dissolução
Profeta da Vanguarda
Transgressão
Emoção
Paixão
(Cássio Amaral)


Haikai pra Leminski

Sr Bananeira na tropical melodia
Na passagem da vida
Samurai da poesia.

(Cássio Amaral.)
Em 2004 fui ao Perhappiness dedicado
ao Leminski em Curitiba.
Na mesa de debate sobre transgressão
Joca Wolf, Joca Reiners Terron e Lourenço Mutarelli,
uma masturbação única sobre transgressão.
Saí fui no Largo da Ordem, entrei num bar e
pedi uma cerveja. Levantei meu copo e brindei o
Leminski.

4 de dezembro de 2015

Pegadas na areia.
Corro léxico ensejo água na água.
Noite vento me acena liberdade.
Corro minhas pegadas na areia pés para correr contexto ampulheta
do tempo.
Esse tempo grita e sussurra o clarão do alto.
A maresia me reverencia com a chuva que cai nas minhas costas dando
uma massagem na minha paranoia que comeu meu coração.
Pegadas na areia minhas pegadas na areia noite a dentro passo passageiro
passante observo um casal de jovens levanta a taça de vinha, um brinde
e um beijo. Apolo aponta a forma do poema, enquanto Dionísio explode de
dentro do verbo.
O mar engole nossa impaciência, vento sentido que acalma a alma vulcânica
do meu ser.

3 de dezembro de 2015

É quando a chuva cai para desfazer o pó.
Eu pó, nó do tempo carregado de imagens.
Um grito apenas um grito que me faça ouvir a harpa da direção.
As pegada na praia, os vestígios do cinza carregado de uma neblina
soprada na saudade.
O tempo , esse tempo, transfigurado, uma batalha sem sentido.
Ulisses está no barco sem rumo, barco sem sua esposa, sem sua filha.
Ulisses navega a deriva num poema que desfaz a condição atual.
É que o soneto do seu corpo perturba o encontro, sua voz rouca me destabiliza.
É que o seu futuro já dilacera o teatro que escreve na água viva no tempo que esvai...
É quando a chuva cai para o pó desfazer-se em poesia.
É que o amor não espera hora marcada, ou tempo administrado por perfeição.
É que a vida pede atenção, um sol maior para o sorriso se fazer inominável.

30 de novembro de 2015

PARA JORGE MAUTNER


A ferida aberta
A verdade nua e crua
O Kaos abraçando o mundo. 

29 de novembro de 2015

LEMINSKI BASHÔ EM MIM NA NOITE DE ONTEM
tarde
agora muito tarde
nada mais que alarde.

24 de novembro de 2015

ELUCIDAÇÕES QUE TRANSITO NO AGORA.
1- O fim não é o início de trás pra frente?
2- Você diz não querendo dizer sim?
3- O que é o amor, além de um sopro leve?
4- O soco no meu estômago é o assombro da realidade?
5- Dou três versos alinhados no infinito para me reaver no amplexo do sol?
6- Vou cumprir minha missão na contramão via Poesis LITERATURA FILOSOFIA luz e sol.
7- Diga o silencio, não diga nada, dizer já é impor um conceito falácico às vezes.
8- Oito voltas em torno de si dão a reta do controle da realidade.
9- Eremita que sou vou ficar Gamam para o sol entrar em mim mais profundamente.

22 de novembro de 2015

A ESQUIZO ACABOU COM A MINHA VIDA

Corpo fuligem passagem apenas
Reflete um sol já coberto de nuvens cinza
Corpo reflexo da alma onde anda o sol
Belchior me dá um tom de vida nessa tarde só
Corpo passagem fuligem desgaste  o céu ainda reflete
Vida essa vida que preciso alinhar longe da loucura que
Me pegou, me comeu, me alucionou, me abdziu
Esse corpo de menino de homem de macho quer
Um remédio para sarar essa esquizofrenia que sinto
Agora
“O amor é uma coisa mais profunda que um encontro
Casual”
“O amor é uma coisa mais profunda que uma transa pessoal”

Tela de Van Gogh

19 de novembro de 2015

Ó MAR SALGADO MAR PESSOA EM MIM

Sol  pátria da minha alma.
Pegadas na praia mancham minha passagem.
Espuma branca que dá tom de melodia.
Caminho ao sol para ver o sol de novo , um sorriso
se faz na tendência do verbo.
Pessoas ao lado curtem o mar.
Caminho , caminho, corro, vejo , canalizo.
Surya Namaskar (saudação ao sol) num oommmm
que refaz enquanto visualizo o bem que há em tudo.
Prana me purifica mente, corpo, espírito, alma...
Fogo, ar, terra e ar ao mesmo tempo me dão o centro
daquilo que busco.
A areia dá um tom de ampulheta e
findo o tempo no mar, depois de mergulhar e
rezar a Yemanjá . Vou correr  para os deveres
do dia.
Pessoa aponta um verso nessas ondas, ondas de Portugal
que a poesia reflete nesse instante.

18 de novembro de 2015

Haikais chuvinhados no acaso
I
disperso vejo a chuva
boquiaberto o vento
me toca na alegria.
2
Bashô me benze
a chuva me purifica
em cheio.
3
Um koan me traduz
menino vestido de haikais
mineiro do sol.
4
quatro sóis profetizam
meu cristal
ainda brilha.
5
Neil Young me abençoa
Rock and Roll never die
vida instante chove lá fora.

17 de novembro de 2015

Pegadas na areia e cinza

Caminho pela praia, sozinho solitude, desvio da rota principal.
As gaivotas se misturam aos urubus que voam essa liberdade que me prende, me solta, me leva leve... Um sentimento de reflexo de eremita que sempre fui , sou , um eremita buscador da luz. Há uma luz refletida nesse meu lado obscuro onde feito um lobo surgido da matilha lhe estraguei  o cristal mesmo sem querer e por impulso.A praia meu santuário, uma foto que alivia esse coração selvagem. Meu peso te agrediu na sua singeleza.
O mar tangente me convida a canalização. Meus antepassados estão ali na névoa. Meu clã se refaz em mim caminhando pela areia que sopra essa vida ínfima, um sopro no aprendizado, um mergulho  para voltar por  cima, voltar a rever-me, a sorrir. O sol distante não percebe que a caminhada é prelúdio de mudança. Vento, esse vento me é particular, é a tarde que profetiza vozes incendiadas de melodia , uma música trespassa meu ser. Uma melodia de vida pulsa no meu olhar. Vida é vivida, o que será?






16 de novembro de 2015

A TEMPESTADE PRONUNCIA O CINZA


Tela de Pollock 

Os destroços luz refletindo tarde vida pulsando o mar revolto passagem tempo imagens as pegadas apenas miragens. 
O sal me lambe o corpo agora oco, hermo perdi no tangir da ida, vim perdi. 
A nau à deriva... Olho o mar com o baldinho de minha filha na mão, ela grita distante:
"Pai, traz mais água para fazermos um castelo ou uma piscina".
Meu olhar no horizonte não percebe o vento que benze meu corpo, a água escorre no instante em que tudo é incalculável. O absurdo abre a porta da solidão,porque minha chaga te agride em cheio.