21 de novembro de 2007

INSIPIÊNCIA
Para o mendigo que escrevia uma poesia em janeiro no Rio de Janeiro


A contra mão do dia certo é a tarde que urra
Tempo inútil e inexistente
Rasgo do infinito camuflado de pilhérias
Passamos todos passantes da última hora
Cinza no sangue da humanidade
Passamos todos como filmes felizes ou escatológicos
Grito do óleo que fica no asfalto
Num átimo tudo se reduz, como num umbral
Elementos de capas carnívoras pulsantes
Passamos perto da Caixa Econômica
O mendigo tem bosta presa ao cu
Dorme na pilastra, mas tem uma caneta
O mendigo tem um brilho diferente no olhar
Que Nietzsche chamaria de “temor do instinto que poderia
conhecer a verdade”
O mendigo é magro,mas resiste e insiste
O mendigo caga na pilastra cogumelos dionisíacos
embalados com pasta de quixote na veia de homens que quebram a dicotomia da certeza
O mendigo não precisa de panótico como disse Michel Foucault
O mendigo tem um pau calejado de dizeres raros
no brincar de imagens fantasiosas
O mendigo dorme debaixo da pilastra mas não se vende a mesmice
O mendigo é um filósofo que Sartre poderia conhecer
O mendigo não se vende, não é comprável
O mendigo come os restos da chamada classe dominante
O mendigo vê as estrelas gritarem furacões e canções
O mendigo é um homem sábio que entende o universo
O mendigo caga poesia com cheiro de imprecação e guerrilha
O mendigo tem uma caneta apenas
Uma caneta que o define como um bárbaro, um artilheiro
A exposição dos móbiles de Alexander Calder está ali no Paço Imperial
E o mendigo sorri feito um menino maroto com uma caneta
O papel é o navio que ele transborda em fígado no mar revolto
O mendigo sabe que o tempo não existe e que a poesia é o farelo
que suplanta os covardes num átimo chamado vida.

Cássio Amaral
20/11/2007.

20 de novembro de 2007

DOMINE O “GA”


Na vida cotidiana do homem, não há coisa mais temível que o “ga” (eu, ego). Isso pode ser bem compreendido se atentarmos pelo fato que no mundo espiritual a eliminação do “ga” é considerada o aprimoramento fundamental.
Quando eu era da Igreja Omoto(20), encotrei no “Ofudesaki” (21), as seguintes frases: “Não há coisa mais temível que o ga; até dinvindades cometeram erros por causa dele”. E támbém: “Devem ter “ga” e não devem ter “ga”; é bom que o tenham, mas não o manifeste”. Fiquei profundamente impressionado, pela perfeita explicação da verdadeira natureza do “ga” em frases tão simples. É escusado dizer que elas me induziram a uma profunda reflexão.
Havia, ainda esta frase: “Em primeiro lugar, a docilidade.” Achei-a extraordinária. Isto porque, até hoje, para aqueles que seguiram docilmente os meus conselhos, tudo correu bem, sem fracassos. Há pessoas que não são bem sucedidas por terem um “ga” muito forte. É realmente penoso ver os constantes fracassos decorrentes do “ga”.
Como foi exposto, o princípio da fé é não manifestar o “ga”, ser dócil e não mentir.

Meishu-Sama, 18 de fevereiro de 1950

(20)- Religião nova, fundada por Não Deguti

(21) – Ensinamentos escritos pela fundadora.

12 de novembro de 2007

As capas novas que Luciana Amaral Miranda de Carvalho fez para meus livros pretéritos, onde eu assinava Cássio Marcos Amaral


nuvens disparam aliterações
Hendrix diz estilhaços
na verve dos labirintos alienígenas.
(Haicai inédito de um livro Sem Nome)
P.s. Apartir de 2005 passei assinar só Cássio Amaral.


PALAVRA
Solta Clara
Falada Calada
Dita Suspirada
Disparada.
(Do livro Estrelas Cadentes - 2003).
MALDITOS
Malditos! Malditos!
Poetas são como os bruxos em busca da poção mágica
Vivem da noite e morrem nos dias
Numa existência mal interpretada.
A essência dipersada na realidade
Vistos como bêbados na vaidade
A demência de sentir, de ser
Não ligando se existe o verme marciano do dinheiro.
Contemplam o luar
Como quem contempla uma ponte no espaço
Destroem o aço da escuridão
E não praticam a escravidão do poder.
Do livro Lua Insana Sol Demente - 2001

11 de novembro de 2007

Um poema do meu segundo livro Estrelas Cadentes de 2003

Capa nova feita por Luciana Amaral Miranda de Carvalho


CONJUGAÇÃO ATUAL
Eu poetizo
Tu proliferas entre as feras
Ele a maltrata todo dia
Ela o ama por descuido
Nós julgamos o próximo sem direito
Vós imitais o que é ruim
Eles crucificam a si mesmos
(P.s.: Nós primeiros livros assinava meu nome todo Cássio Marcos Amaral, em 2005 passei assinar só Cássio Amaral).

10 de novembro de 2007

MÁSCARAS

Capa de Luciana Amaral Miranda de Carvalho
Demência na embriaguez da essência
Loucura da doçura
De não entender, não ter,não ser
Corda bamba da ironia.
Cada um vivendo seu personagem
Pessoas frias e sem coragem
Presas na escuridão do regresso, a escravidão
Pássaros voam longe, a evolução.
A alegria e a tristeza
O teatro rápido no palco da vida
Cada um com sua máscara
Fingindo existir.
(Cássio Amaral, do meu primeiro livro Lua Insana Sol Demente - 2001)

6 de novembro de 2007

CENA DO ROCK BRASIL




Quatro estudantes da Faculdade de Arquitetura da UFRGS - Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Maltz (bateria), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Stein (guitarra) - resolveram formar uma banda apenas para uma apresentação em um festival da faculdade, que aconteceria por protesto à paralisação de aulas. Escolheram o nome Engenheiros do Hawaii para satirizar os estudantes de engenharia que andavam com bermudas de surfista, com quem tinham uma certa rixa.
Começaram a surgir propostas para novos shows e, após, algumas apresentações em palcos alternativos de Porto Alegre juntamente com uma série de shows pelo interior do Rio Grande do Sul. A banda em menos de quatro meses de carreira já consegue gravar duas músicas na coletânea Rock Grande do Sul (1985) com diversas bandas gaúchas em razão de uma das bandas vencedoras do concurso audicionador à coletânea ter desistido da participação do álbum na última hora.
Carlos Stein desiste do grupo e, tempos depois, passa a integrar a banda Nenhum de Nós. Meses passaram, e os Engenheiros do Hawaii gravam o seu primeiro álbum: Longe demais das capitais, em 1986. O norte musical do disco apontava para um som voltado à música pop, muito próximo ao ska de bandas como o The Police e o Paralamas do Sucesso. Destacam-se as canções Toda forma de poder, Segurança e Sopa de Letrinhas.
Antes de começarem as gravações do segundo disco, Marcelo Pitz deixa a banda por motivos pessoais. Com Gessinger assumindo o baixo, entra o guitarrista Augusto Licks, que havia trabalhado com Nei Lisboa, conhecido músico gaúcho.
Os Engenheiros lançam o disco A Revolta dos Dândis, em 1987. A banda muda o direcionamento temático, iniciando uma trilogia baseada no rock progressivo, com discos com repetições de temas gráficos e musicais e letras em que ocorre a auto-citação. Os arranjos musicais são influenciados pelo rock dos anos 60, as letras são críticas, com ocorrência de várias antíteses e paradoxos e aparecem citações literárias de filósofos, como Camus e Sartre. Destaque para Infinita Highway, Terra de Gigantes, Refrão de Bolero e a faixa título, dividida em duas partes. Começam os shows para grandes platéias nos centros urbanos do país, como o festival Alternativa Nativa, realizado entre 14 e 17 de junho de 1987. A partir desta data, os Engenheiros encheriam ginásios e estádios pelo Brasil afora.
O primeiro disco que comprei foi Longe Demais das capitais, ainda o tenho.
Mas dos anos oitenta pra cá o Rock Brasileiro caiu muito, quer pelo contexto histórico,
quer pela falta de qualidade nas bandas.
Nos últimos tempos podemos citar quem? Chico Science e a Nação Zumbi,mais atualmente
Los Hermanos, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Mombojó, Teatro
Mágico, em Uberlândia tem uma banda bacana chamada Porcas Borboletas.
Mas os tempos são outros.
Sou filho da geração coca-cola, já ví muitos shows ao vivos das bandas anos 80.
Mas hoje parece que a coisa vai para o revival, o comércio.
Hoje vejo Dinho Ouro Preto do Capital Inicial parecendo um moleque no palco, e cadê
a produção, cadê o trabalho digno do primeiro disco. Morreu? Ou virou só comercial mesmo?
Não acredito em revivais, não acredito no cara do The Cult tocando no The Dors e...
Putz, mudaram até o nome do Doors, não acredito em Zélia Duncan substituindo a Rita Lee
nos Mutantes. A turnê dos Paralamas e o Titãs pra comemorar 25 anos de bandas agora.
Titãs perdeu muito quando Arnaldo Antunes saiu e depois Nando Reis.
Uma amiga minha de São Paulo foi no show e falou que é legal,mas não é mesma química.
Sabe, aquela frase: " O original nunca se desoriginaliza". E vejo que a coisa degringolou mesmo.
Detonautas, Cpm 53, 23, uma série de coisas que pra indústria fonográfica faz sentido,
porque a indústria fonográfica só quer $, como as editoras.
Bom, eu gosto de Barão Vermelho hoje, as bandas que sobraram já estão acabando. O IRA já está extinto, A Plebe Rude voltou,uma das bandas mais politizadas dos anos 80.
"Nunca fomos tão brasileiros" numa das músicas da Plebe Rude.
Estou saindo dos Engenheiros, que é o que quero falar.
Vamos lá, caiu também, a química rolava mesmo com Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Augusto Licks. Esse novo acústico numa boa tem até letras legais e reeleituras de músicas que estouraram,mas não supera o primeiro acústico dos Engenheiros do Hawaii- FILMES DE GUERRA, CANÇÕES DE AMOR gravado em julho de 93 na sala Cecília Meirelles no Rio pelo Mayrton Bahia.
E numa boa hoje os Engenheiros é Gessinger e outros contratados.
Música é química e energia. Pink Floyd ficou muitos anos sem tocar, quando os quatro se juntaram foi uma energia ampliada.
Por isso, repito: O original nunca se desoriginaliza.
E numa boa, acho a música a maior das artes, caí nos versos porque não aprendi a tocar violão.
Música é amplidão, algo que já é uma viajem.
Uma música dos Engenheiros aí do disco Filmes de Guerra, Canções de Amor que gosto, tem uma gaita legal e a letra é interessante.
Saquem a letra aí:
Quanto Vale A Vida?

quanto vale a vida de qualquer um de nós?
?quanto vale a vida em qualquer situação?
?quanto valia a vida perdida sem razão?
?num beco sem saída, quando vale a vida?
são segredos que a gente não conta contas que a gente não faz quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
?quantas vidas vale o tesouro nacional?
?quantas vidas cabem na foto do jornal?
?às sete da manhã, quanto vale a vida
depois da meia-noite, antes de abrir o sinal
?são segredos que a gente não conta(faz de conta que não quer nem saber)
quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
?quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
?quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
?quanto vale a vida perto do fim do mês?
?quanto vale a vida longe de quem nos faz viver
?são segredos que a gente não conta
contas que a gente não faz
coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida?
nas garras da águia nas asas da pomba
em poucas palavras
no silêncio total no olho do furacão na ilha da fantasia
?quanto vale a vida?
?quanto vale a vida na última cena
quando todo mundo pode ser herói?
?quanto vale a vida quando vale a pena?
?quanto vale quando dói
?são coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida?

2 de novembro de 2007


Aufklärung



A mãe batia no filho antes de ir pra escola.
O filho ficou nervoso e agressivo.
Na televisão passava o comercial do filme Tropa de Elite.
O filho gostava de lutas e Power Ragers.
Um dia o avô entrou no quarto e perguntou ao neto:
_André, o que você vai ser quando crescer?
O neto respondeu:
_Traficante vô! Porque vou ganhar dinheiro junto com a polícia.


Aufklãrung: É a saída de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado.
A menoridade é incapaz de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo
(Immanuel Kant)

30 de outubro de 2007

Máximas e interlúdios de Nietzsche





Um homem dotado de gênio é insuportável se, além disso não possuir
pelo menos duas outras qualidades: a gratidão e a cortesia...


Quando se tem caráter , tem-se na vida uma aventura que sempre se renova.


Mesmo as mulheres , no fundo de sua vaidade pessoal, têm sempre desprezo
impessoal - pela “mulher”...


Quando o amor e o ódio não estão em jogo, a mulher joga de maneira medíocre.


A mulher aprende a odiar à medida que desaprende a fascinar.



Hoje, um homem que busca o conhecimento poderia facilmente acreditar-se


um deus que se torna animal.



Como! Um grande homem? Não consigo ver nele mais que o comediante
do seu próprio ideal.


Do livro Além do Bem e do Mal

29 de outubro de 2007

Meme da telepatia dos blogueiros uivantes

Friedrich Wilhelm Nietzsche


Recebi o convite da amiga Priscila Manhãs pra mandar o Meme pra outras pessoas.

Convido Ricardo Wagner, Lucas Rafael Nolli, Flávio Offer, Célia Musilli e Loba

O links deles estão à direita.


As regras são as seguintes:

1ª - Pegar um livro próximo (próximo, não procure);

2ª - Abrir na página 161;

3ª - Procurar a 5ª frase completa;

4ª - Postar essa frase em seu blog;

5ª - Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;

6ª - Repassar a outros 5 blogs.

...


E os leitores desse blog podem deixar a frase na caixinha de comentários.



Estou lendo Nietzsche - Além do Bem e do Mal.



A 5ª frase da página 161 é:



"Que riqueza de seiva e de forças, quantas estações
e climas estão aí miturados! Essa música tem ora um ar velhote
ora um ar estranho , ácido e muito verde ; é ao mesmo tempo
fantosiosa e pomposamente tradicional, às vezes maliciosa e
espiritual , na maior das vezes ainda áspera e grosseira - como tem
fogo e vivacidade e, ao mesmo tempo a pele flácida e pálida da casca
das frutas que amadurecem tarde demais!".


Esse trecho é quando se refere à música de Wagner.

Trecho do Livro Além do Bem e do Mal de Nietzche que estou lendo.




Não vi o filme,mas o amigo Daniel disse que vale a pena ver Quando Nietzsche chorou. Ele disse que é um filmaço. Vou ver se leio o livro e vejo o filme também.

26 de outubro de 2007

Bobo empregando


Tela de Basquiat


Acordei sentindo frio e logo fui acariciado pelo morno cobertor distante, onde fiquei consolado pelo destino que contraí por direito, e amedrontei assombrado pelo ócio que me apresentaram de bandeja. Foi aí que me revoltei aliciado pela tele/visão de cegos intelectuais com bobagens em braile. Vejo e ouço, nela, sonhos icásticos contidos no amor vendido pelas prostitutas promocionais num visual que pouco acrescentou e muito cresceu.
Hoje arranjei um emprego no cargo de bobo da corte e agora sigo conduzindo um sorriso forçado.
Ricardo Lima

24 de outubro de 2007

Captainianas ouvindo Captain Beefheart 1

Tela de Captain Beefheart(Don Van Vliet)


todo blues
é canto rouco
que monta no Plastic Factory2

Cássio Amaral


Captain Beefheart na dissolução
tudo é vertigem de alienígena
som que capta constelações desconhecidas


Cássio Amaral & Priscila Manhães



a madrugada abre as pernas
e o blues tarado introduz
sua voracidade em essência


Cássio Amaral



1-Captain Beefheart and his Magic Band uma banda norte americana que esteve na ativa na década de 1960 até 1980.
2- Plastic Factory uma música do Captain Beefheart


Se tivera afim de sacarem um pouco do Captain Beefheart podem acessar o site:

http://www.beefheart.com/
Só pra lembrá-los que Don Van Vliet era o líder do Captain Beefheart, além de Cantor e músico ele era artista plástico que vocês podem ver suas telas no site aí.

Um vídeo do Captain Beefheart no YOUTUBE:

http://www.youtube.com/watch?v=zAoPhVn4y1Q

O amigo Welisson que me aplicou o Captain Beefheart.
Valeu Welisson!


23 de outubro de 2007

Reminiscências...

Foto de Quedo


A casa está aberta
As paredes caídas
Ninguém mora mais ali
A música de Rock and Roll não toca mais
A casa está caída
Suas paredes não foram tombadas pelo patrimônio Histórico
O povo acha que tombar é derrubar
A casa está derrubada
E os canalhas ainda ganham dinheiro com o patrimônio público
O casarão está caído
Eu estou caído
A cidade pertence a poucos
A cidade está comprada
A casa está caída
Apenas sua alma é o ruído dos sentimentos
Que um dia foi vida na miragem do tempo
E que agora a faísca da lembrança vomita de saudade.


21 de outubro de 2007

Sonata da luz da lua

Imagem do Filme O Piano 1993






Um som profundo e aveludado faz formar inúmeras imagens cada nota em suas margens se fazem agressivas e apaixonadas
Um piano solitário no centro do escuro salão o ar da triste solidão e a execução de um pranto raro
Rasga o vento com teu choro oh,pianista e tuas mágoas cada nota como a água de teus olhos sem consolo
Dedilha estas notas que imagina cada tecla uma parte de sua canção dedilhando assim meu coração faz o fundo de minha sina.
Sei que choras como eu mas teu jeito de chorar senhor solitário,é tocar bem mais belo que o meu.

E ainda ouço a sonata morrendo...

pouco a pouco,em tuas mãos.



Edu (Eduardo Ribeiro)



O blog do Edu é: http://www.educodenome.blogspot.com/



Ou nos links aí do lado.

18 de outubro de 2007



Tela de Quedo




Estou fora de casa,
os sinos tocam dizendo ser o fim da energia e
o começo de outra - não obedeço.
O copo de vinho me acompanha nesses dias famintos.
Estou à beira da loucura. Da loucura perplexa,
da indignação e das flores mortas.
Tenho infinidades para plantar...
A música toca e eu não sei acompanhá-la e
só dentro da alma ela é compreendida.
Pessoas passam, pessoas vem, pessoas vão -
é sempre a mesma coisa.
Os banheiros existem - é preciso defecar.
Os sinos tocam sem ritmo numa balada propícia ao vento.
Sou o que sou e nada mais.
Tem gente que me admira, tenta me consumir e depurar...
mas sou feita de carne e osso e minha alma
ninguém pode alcançar.
Não sou vitrine exposta, onde se olha e pode comprar...
sou além da matéria.
Chega de hipocrisia, de ladainhas e picuinhas -
somos e podemos ser mais do que isso.
Vampiros de energia - gente de pouco brilho que rouba
o que é do outro. Sejamos verdadeiros caros vampiros -
tirem suas máscaras e encarem suas fraquezas.

Cris - (Cristiane Destri)

O blog da amiga e irmã Cris está linkado aí do lado ou no:
http://crisdestri.zip.net/

17 de outubro de 2007

Helena Kolody: Pioneira do haicai


Helena Kolody (1912-2004), a consagrada poetisa do Paraná, inaugurou em 1941 a série de mulheres haicaístas do país. Dona de uma enorme coleção de adjetivos-virtudes, palavras-emblemas, atribuídos a ela pelo povo paranaense, Helena deixou uma obra, que na qualidade lembra outra grande poeta: Cecília Meirelles. O amor que ela conquistou pelos poemas, pelos livros, juntou-se à lira de sua poesia feita de canções à vida, da solidariedade, da natureza e a inquietude da condição humana. Pode-se brincar dizendo que as letras iniciais do nome da poeta, HK, são as mesmas de quando se grafa hai-kai, como ela o fazia.

Alguns haicais de Helena Kolody:


Arco-íris

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.


Prisão

Puseste a gaiola
Suspensa dum ramo em flor,
Num dia de sol.

Vitória Íntima

Como a penumbra da noite,
A meditação desceu em seu olhar
E acendeu dentro de mim a lâmpada serena.

16 de outubro de 2007

HAICÃES MADRUGAIS

I
cachorros latem
na madrugada abissal
enquanto pleonasmos explodem o imprevisto

II

cães caminham sem donos
onde o latido é a face da ironia
que a madrugada incita nos monstros de Blake

III

Pink Floyd na devoção da noite
“HEY YOU”
Vira-latas uivam o inimaginável



16/10/07

15 de outubro de 2007

Expresso Araxá - O FILME OU QUEIMA FILME?


Tela de William Blake
O amigo Ricardo Wagner escreveu uma resenha sobre o filme Expresso Araxá,
filmado aqui na nossa província.
Vi o trailer do filme e não gostei, achei pueril e sem pegada.
Ricardo foi além e escreveu uma resenha que vocês podem
conferir no:

LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ

Fiquei percebendo a falta de umidade atmosférica
O calor matará milhares daqui a pouco
A camada de ozônio já acabou
O dia como um meteoro passado em segundos
As minhas futilidades e das pessoas são coisas ínfimas
Dona Maura já não abre mais a janela
Morreu de derrame cerebral enquanto sua filha trepava com Mário
Os dois gozavam loucamente
E dona Maura sofria o derrame cerebral
O sexo vivamente feito de sexo e prazer atrás do armário
E a morte de repente dá o pinto a dona Maura
Que também entra no céu feliz.



11/10/07